Policial morre soterrado após salvar esposa e vizinhos de área de risco em MG

A noite de segunda-feira (23) foi de puro desespero em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. A chuva caiu pesada, grossa, daquelas que parecem não ter fim. Ruas alagadas, sirenes ao fundo, gente tentando salvar o que dava. No meio de tudo isso, uma história de coragem acabou virando tragédia.

O policial penal Reinaldo Neiva Ferreira, de 36 anos, estava de folga quando percebeu que a situação no bairro Paineiras estava ficando perigosa demais. A água descia com força, a terra começava a ceder, e o risco de deslizamento era real. Segundo vizinhos, ele foi um dos primeiros a notar que algo estava errado. Não pensou duas vezes. Bateu de porta em porta, avisou moradores, pediu para todo mundo sair.

Ele conseguiu retirar a esposa e outras pessoas do prédio antes do pior acontecer. Foi coisa de minutos. Talvez segundos. O barranco não aguentou. A estrutura cedeu. E foi aí que o deslizamento atingiu o imóvel.

Reinaldo ainda estava no local quando tudo veio abaixo.

Testemunhas contam que ele ajudava os últimos moradores a deixar o prédio quando acabou sendo soterrado. A cena foi de cortar o coração. Gritos, lama, chuva que não dava trégua. O Corpo de Bombeiros foi acionado rapidamente, mas o trabalho era complicado. A instabilidade do terreno dificultava qualquer movimentação mais arriscada.

As equipes de resgate trabalharam por mais de 24 horas seguidas. Foi uma força-tarefa intensa, com máquinas, lanternas e muita esperança envolvida. Familiares e amigos aguardavam notícias com o coração na mão. Infelizmente, na madrugada desta quarta-feira (25), o corpo do policial foi localizado sob os escombros.

A confirmação da morte abalou colegas de farda e moradores da região. Em nota, o Departamento Penitenciário de Minas Gerais lamentou profundamente a perda do servidor. Reinaldo fazia parte da corporação desde maio de 2017 e atuava na Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, na própria cidade.

No comunicado oficial, o órgão destacou que ele morreu tentando salvar outras pessoas. Um gesto que, segundo amigos, era a cara dele. “Ele era assim, não ia sair deixando ninguém pra trás”, disse um colega de trabalho, visivelmente emocionado.

A tragédia acontece em meio a uma sequência de temporais que vêm castigando Minas Gerais nas últimas semanas. Em Juiz de Fora, os estragos foram grandes: alagamentos em vários bairros, quedas de muros, deslizamentos de encostas e imóveis danificados. A Defesa Civil já havia emitido alertas por causa do volume acumulado de chuva, que superou a média esperada para o mês.

E não é exagero dizer que o clima anda cada vez mais imprevisível. Basta lembrar das enchentes recentes em outras cidades do Sudeste, que também deixaram mortos e desabrigados. Parece que todo ano a história se repete, mas quando acontece perto da gente, o impacto é diferente.

A morte de Reinaldo deixa uma esposa, familiares, amigos e colegas de profissão. Deixa também uma cidade em luto. Nas redes sociais, moradores prestaram homenagens, chamando o policial de herói. E de certa forma, foi isso mesmo. Ele poderia ter saído primeiro, poderia ter pensado só na própria segurança. Mas escolheu ajudar.

Num momento em que tantas notícias ruins circulam todos os dias, a atitude dele chama atenção. Mostra que ainda existe solidariedade, mesmo diante do perigo. Pena que o preço tenha sido tão alto.

Juiz de Fora acordou mais silenciosa nesta quarta-feira. Entre a lama e os escombros, ficou a lembrança de um homem que perdeu a vida tentando salvar outras. E isso, por si só, diz muito.



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