A advogada Viviane Barci de Moraes, que é esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, resolveu se manifestar publicamente depois que vieram à tona detalhes de um contrato milionário entre o escritório dela e o Banco Master. O acordo, que chamou bastante atenção nos bastidores de Brasília, envolvia a prestação de serviços jurídicos à instituição financeira presidida pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
Em nota oficial divulgada pelo escritório, Viviane tentou esclarecer alguns pontos que, segundo ela, acabaram sendo interpretados de forma equivocada. A advogada explicou que o contrato era legítimo e seguia padrões jurídicos comuns em negociações complexas do setor financeiro. Mesmo assim, o valor total pago pelos serviços — pouco mais de R$ 80 milhões — virou assunto nas redes sociais e também nos corredores da política.
O curioso é que, na nota divulgada, o escritório não mencionava diretamente os valores envolvidos no acordo. Só que informações obtidas a partir de dados retirados do celular de Daniel Vorcaro acabaram revelando as cláusulas completas do contrato. Esses registros mostrariam exatamente quanto estava sendo pago mês a mês pelo trabalho jurídico.
Segundo os documentos, o acordo havia sido firmado em fevereiro de 2024 e teria validade de três anos. Ou seja, inicialmente ele seguiria até 2027. No entanto, a parceria acabou sendo interrompida antes do previsto. Isso aconteceu após a liquidação do Banco Master, em novembro do ano passado, e também depois da prisão do próprio Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero.
De acordo com o contrato, os honorários mensais da advogada eram de R$ 3.646.529,77. Um valor bem alto, diga-se de passagem. Somando todo o período em que o acordo esteve ativo, o total recebido chegou a R$ 80.223.654,94. Quando esses números começaram a circular, muita gente ficou surpresa, porque a quantia é considerada fora do padrão para esse tipo de serviço jurídico.
Para se ter uma ideia, especialistas da área costumam dizer que escritórios de advocacia que atuam em casos corporativos complexos geralmente cobram por hora. E nesse mercado o valor médio gira em torno de R$ 3 mil por hora de trabalho — claro, dependendo da experiência do profissional e do tamanho do escritório.
No caso do escritório Barci de Moraes, porém, o modelo foi diferente. Na nota, a equipe afirmou que realizou 81 reuniões presenciais ao longo do contrato e mais 13 encontros por videoconferência. Somando tudo, seriam cerca de 267 horas de reuniões e discussões jurídicas.
Além disso, o documento afirma que foram produzidos 36 pareceres técnicos e opiniões legais para atender demandas do banco. Esses pareceres, segundo o escritório, envolviam análises regulatórias, avaliações jurídicas complexas e orientações estratégicas. Ao todo, 15 profissionais teriam participado diretamente dos trabalhos.
Quem acompanha o noticiário político sabe que qualquer assunto envolvendo o nome de Alexandre de Moraes acaba repercutindo muito. E isso ficou ainda mais evidente nos últimos dias. Nas redes sociais, o caso virou tema de debate, com opiniões bem divididas — como quase tudo no Brasil atualmente.
Por isso, no comunicado divulgado à imprensa, o escritório fez questão de reforçar um ponto específico: os serviços prestados ao Banco Master não tinham relação com processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Segundo a nota, não houve qualquer atuação vinculada a casos julgados pelo STF, justamente para evitar qualquer possibilidade de conflito de interesses envolvendo o ministro.
Ainda assim, o episódio continua gerando discussões. Alguns juristas dizem que contratos desse tamanho não são impossíveis no mercado de advocacia empresarial, principalmente quando envolvem grandes instituições financeiras. Outros, no entanto, consideram o valor muito acima do praticado normalmente.
No meio dessa história toda, uma coisa é certa: o assunto ainda deve render bastante debate. Principalmente num momento em que o país vive um clima político sensível, com investigações, disputas judiciais e muita atenção da opinião pública sobre figuras ligadas ao Judiciário. E quando números tão altos aparecem, inevitavelmente surgem perguntas — algumas respondidas, outras nem tanto.