A apresentação da cantora Anitta no programa Domingão com Huck, exibido no último domingo (5), acabou virando um dos assuntos mais comentados nas redes sociais — e não exatamente por um motivo positivo. O que era pra ser só mais uma performance artística acabou gerando uma baita polêmica, principalmente por ter ido ao ar justamente no domingo de Páscoa, data considerada sagrada para muitos cristãos.
Durante o programa, Anitta cantou a música “Meia-noite”, que traz várias referências ao candomblé, tanto na batida quanto na coreografia e até na letra. Pra quem acompanha o trabalho dela já sabe que ela costuma misturar elementos culturais e religiosos nas apresentações, mas dessa vez o contexto pesou bastante. E olha… pesou mesmo.
Nas redes sociais, principalmente no X (antigo Twitter), não demorou muito pros comentários começarem a surgir — e muitos deles bem críticos, diga-se de passagem. Teve gente que ficou indignada com a escolha da Globo de exibir esse tipo de conteúdo numa data religiosa tão importante.
Um internauta escreveu algo mais ou menos assim, sem muito filtro: que a emissora, “bancada com impostos dos brasileiros”, teria exibido um “ritual de macumba e feitiçaria” com a intenção de ofender Cristo. Já outro foi mais direto ainda, chamando a situação de “escárnio em pleno domingo de Páscoa” e soltando aquele clássico aviso meio apocalíptico: “um dia a conta chega”.
É curioso observar como esse tipo de debate sempre volta à tona quando religião e entretenimento se cruzam. De um lado, tem quem defenda a liberdade artística e o respeito à diversidade cultural e religiosa do Brasil — afinal, o candomblé faz parte da história do país. Do outro, tem quem enxergue isso como desrespeito, principalmente quando acontece em datas simbólicas como a Páscoa.
E aí entra um ponto importante: a música “Meia-noite”, apresentada pela cantora, não esconde suas referências. Um dos trechos fala “pemba e pimenta na ponta da minha fala”. Pra quem não sabe, a pemba é um tipo de giz feito de calcário, muito utilizado em rituais de religiões afro-brasileiras. Ou seja, não é algo inventado ali na hora, faz parte da construção artística da música.
Mas claro, nem todo mundo vê dessa forma. Em tempos de redes sociais, qualquer detalhe vira combustível pra discussão. E convenhamos, ultimamente o clima tá meio sensível pra esse tipo de assunto. Basta lembrar de outras polêmicas recentes envolvendo religião, cultura e televisão… parece que tudo vira motivo pra divisão.
Outro ponto que chamou atenção foi o fato de a apresentação ter acontecido num programa de grande audiência, num horário familiar. Isso também pesou na reação do público, já que muita gente estava assistindo com a família reunida, como é comum aos domingos.

Ainda assim, teve quem saiu em defesa da artista. Alguns usuários lembraram que o Brasil é um país laico e que manifestações culturais diversas devem ser respeitadas. Outros destacaram que a crítica muitas vezes vem carregada de preconceito religioso, principalmente contra religiões de matriz africana.
No fim das contas, o episódio mostra mais uma vez como a internet amplifica tudo. O que poderia ser apenas uma apresentação musical virou um debate gigante sobre religião, respeito e liberdade de expressão. E sinceramente… dificilmente vai existir um consenso.
Enquanto isso, Anitta segue sendo Anitta: provocando, inovando e, querendo ou não, sempre no centro das atenções. Se foi estratégia ou apenas coincidência com a data, aí já é outra história.