Após atitude contra delegado da PF, Lula faz graves ameaças aos EUA: “Não passará batido”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou nesta terça-feira (21/4) sobre um episódio que acabou gerando bastante repercussão, principalmente nos bastidores da política e também nas redes sociais. Durante uma conversa rápida com jornalistas, na saída de um hotel em Hannover, na Alemanha, ele comentou sobre a expulsão do delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo, dos Estados Unidos.

Segundo Lula, caso fique comprovado que houve algum tipo de exagero ou abuso por parte das autoridades americanas, o Brasil pode sim responder na mesma moeda. Ele usou o termo “reciprocidade”, que na prática quer dizer tratar da mesma forma. “Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, disse o presidente, de maneira direta, sem rodeios.

Ainda na fala, Lula reforçou que o Brasil quer manter uma relação equilibrada e respeitosa com outros países, principalmente com uma potência como os Estados Unidos. Mas também deixou claro que não vai aceitar interferências externas. Ele comentou algo no sentido de que não dá pra permitir esse tipo de ingerência ou até abuso de autoridade vindo de fora, como se o Brasil tivesse que simplesmente aceitar tudo calado, o que claramente não é a posição do governo atual.

Esse caso todo começou a ganhar força depois que o delegado Marcelo Ivo foi expulso dos Estados Unidos na segunda-feira (20/4). A situação ficou ainda mais delicada porque aconteceu poucos dias após a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em tentativa de golpe de Estado. Esse detalhe acabou dando um peso ainda maior pra toda a história.

Ramagem, inclusive, foi detido pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, conhecido como ICE, no dia 13 de abril. Só que ele acabou sendo liberado dois dias depois, o que também levantou questionamentos e até teorias nas redes. Muita gente ficou sem entender exatamente o que aconteceu nesse intervalo curto de tempo.

Já o governo americano, por meio do Departamento de Estado, apresentou uma versão bem diferente do caso. Segundo eles, o delegado brasileiro teria tentado “manipular” o sistema de imigração dos EUA. Além disso, afirmaram que houve uma tentativa de contornar processos formais de extradição, o que é algo considerado sério dentro das regras internacionais.

Outro ponto levantado pelas autoridades americanas foi que essa ação poderia representar uma espécie de extensão de perseguições políticas para dentro do território dos Estados Unidos, o que, obviamente, não foi bem visto por lá. Essa acusação, aliás, pesa bastante e pode acabar gerando novos desdobramentos diplomáticos.

Por outro lado, a Polícia Federal do Brasil apresentou uma explicação diferente. Segundo a instituição, a prisão de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos aconteceu dentro de um contexto de cooperação internacional entre os dois países. Ou seja, não teria sido nada fora do comum, pelo menos na visão das autoridades brasileiras.

Esse tipo de situação mostra como as relações internacionais podem ser complexas e, às vezes, até meio confusas pra quem acompanha de fora. Um mesmo fato pode ter interpretações bem diferentes dependendo do lado que conta a história. E isso, querendo ou não, acaba gerando ruído, desconfiança e até tensão diplomática.

Nos últimos tempos, inclusive, esse tipo de atrito tem aparecido com mais frequência no noticiário, principalmente envolvendo decisões judiciais, investigações e questões políticas que ultrapassam fronteiras. Não é algo isolado.

Agora, resta saber quais serão os próximos passos. Se o Brasil realmente vai adotar alguma medida de reciprocidade ou se tudo vai acabar sendo resolvido nos bastidores, através do diálogo. Em casos assim, muita coisa acontece longe das câmeras, o que é até comum na diplomacia.

De qualquer forma, o episódio já chamou atenção e deve continuar rendendo assunto nos próximos dias. Até porque envolve figuras importantes, decisões delicadas e, claro, dois países que têm uma relação histórica, mas que nem sempre anda tão alinhada quanto parece.



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