Idosa é agredida por cantar louvores na rua no RJ

A aposentada Fátima Candeias, de 62 anos, viveu uma situação daquelas que a gente custa acreditar que ainda acontecem. Na última quinta-feira, dia 16, ela estava na Rua do Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro, fazendo algo que já virou rotina na vida dela: cantando louvores. Só que, dessa vez, a coisa saiu completamente do controle.

Segundo a própria Fátima contou em entrevista, um homem que passava pelo local não gostou nada do que estava ouvindo. Incomodado, ele decidiu chamar a Guarda Municipal. Até aí, já seria uma situação chata, mas ainda dentro do que muita gente vê acontecer nas ruas. O problema mesmo começou quando os agentes chegaram.

Fátima disse que percebeu na hora quem tinha feito a denúncia. E parece que o homem não gostou de se sentir identificado. Foi aí que, de forma repentina, ele partiu pra agressão e deu um soco direto no rosto dela. Uma cena bem revoltante, ainda mais se tratando de uma idosa.

Depois disso, os dois foram levados para a delegacia da região. Fátima fez questão de deixar claro que não quis dividir o mesmo espaço com o agressor. Enquanto ele foi a pé, ela foi levada na viatura da Guarda Municipal. Já na delegacia, o delegado que atendeu o caso não perdeu tempo e encaminhou a aposentada direto para atendimento médico.

Ela foi levada primeiro para a UPA de Botafogo, onde recebeu os primeiros cuidados. Mas, como o impacto foi na região dos olhos, surgiu a necessidade de uma avaliação mais específica. Por isso, ela acabou sendo direcionada para o Hospital Municipal Souza Aguiar, conhecido por atender muitos casos de urgência no Rio.

Lá, os médicos constataram uma lesão na córnea. Apesar de não ser algo gravíssimo, também não é simples. Fátima contou que ainda sente o olho lacrimejando bastante e a visão um pouco embaçada. Ou seja, não foi só um susto, teve consequência de verdade.

Ela também explicou que o tratamento ainda não acabou. Existe um acompanhamento em andamento, com retorno marcado para nova avaliação. Depois de cerca de 30 dias, será feito outro exame mais completo, e todo o caso deve ser encaminhado ao IML para registro oficial da lesão.

Mesmo depois de tudo isso, o que mais chama atenção é a postura dela. Quando perguntada se pretende voltar a cantar nas ruas, Fátima não hesitou nem um segundo. Disse que sim, com firmeza. Segundo ela, a fé fala mais alto do que o medo.

Nas palavras dela, Deus não deu espírito de covardia, mas de ousadia. Ao mesmo tempo, ela reconhece que não é fácil. A rua, como ela mesma disse, é um ambiente complicado. Existe o desejo de continuar levando sua mensagem, mas também a consciência de que está se expondo a riscos.

Ela comentou ainda que gostaria de ter mais reconhecimento, talvez oportunidades melhores, pra não depender tanto das apresentações nas ruas. Algo mais estável, menos vulnerável. Porque, no fim das contas, viver disso na rua não é nada simples.

O agressor, identificado como Obede da Silva Inácio, foi autuado por lesão corporal. O caso agora segue para o Juizado Especial Criminal, o chamado Jecrim, onde deve ter continuidade.

Nas redes sociais, Fátima também se manifestou. Usou um trecho bíblico para falar sobre sacrifícios e os desafios de pregar o evangelho. Uma forma de mostrar que, apesar da dor e do susto, ela continua firme naquilo que acredita.

Histórias assim acabam gerando muita discussão. Tem gente que se solidariza, outros questionam, mas uma coisa é certa: violência nunca deveria ser resposta pra nada. Ainda mais numa situação como essa.



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