O ex-presidente Jair Bolsonaro acabou virando o centro de mais uma confusão dentro da própria direita paulista. Nos bastidores de Brasília e também em São Paulo, o clima azedou de vez depois que Bolsonaro descobriu uma articulação envolvendo o filho, Eduardo Bolsonaro, e aliados do PL para a disputa ao Senado nas eleições de outubro. Segundo relatos divulgados nos últimos dias, o ex-presidente teria passado mal e ficado bastante abalado emocionalmente ao perceber que decisões importantes estavam sendo tomadas sem que ele fosse ouvido.
A crise começou quando ganhou força uma chapa defendida por Eduardo junto de integrantes influentes do PL. A proposta colocaria André do Prado, atual presidente da Alesp, como candidato principal ao Senado, deixando Eduardo como primeiro suplente. O problema é que Bolsonaro pai tinha outro plano na cabeça fazia tempo. O nome preferido dele era o do coronel Ricardo Mello Araújo, atual vice-prefeito da capital paulista e alguém mais ligado à ala ideológica do bolsonarismo raiz.
Nos corredores do PL, a movimentação pegou muita gente de surpresa. Bolsonaro teria reclamado diretamente de não ter sido consultado sobre a decisão, o que acabou criando um climão enorme entre ele, o presidente do partido Valdemar Costa Neto e até mesmo Eduardo. Pessoas próximas ao ex-presidente afirmam que ele se sentiu deixado de lado justamente por aliados que sempre estiveram ao seu redor.
A informação divulgada pela coluna Radar, da Veja, apontou que Bolsonaro sofreu uma espécie de crise nervosa ao descobrir que a negociação vinha acontecendo pelas costas dele. A notícia caiu como bomba no meio político, principalmente porque nos últimos meses o ex-presidente vinha tentando manter uma imagem de unidade dentro da direita, mesmo com as disputas internas ficando cada vez mais visíveis.
Quem aproveitou o momento para atacar foi o ex-ministro Ricardo Salles, que também quer disputar uma vaga ao Senado por São Paulo. Nas redes sociais, Salles fez duras críticas ao acordo envolvendo Eduardo e Valdemar. Sem economizar palavras, chamou a movimentação de “vergonhosa” e acusou integrantes do centrão de representarem a velha política que o bolsonarismo dizia combater anos atrás.
A fala repercutiu forte entre apoiadores conservadores. Muita gente lembrou que Eduardo Bolsonaro sempre adotou um discurso mais radical contra o centrão e contra acordos políticos tradicionais. Por isso, parte da militância viu a aproximação com aliados de Valdemar como uma contradição enorme. Em grupos políticos no WhatsApp e também no X, antigo Twitter, o assunto dominou discussões durante boa parte do dia.
Enquanto isso, o governador Tarcísio de Freitas aparece apoiando André do Prado nos bastidores, o que aumentou ainda mais a sensação de isolamento de Bolsonaro dentro do próprio campo político. Aliados dizem que Tarcísio tenta construir uma base mais ampla e moderada para 2026, mesmo que isso incomode setores mais ideológicos da direita.
No fim das contas, o cenário virou um verdadeiro quebra-cabeça político. Bolsonaro queria Mello Araújo. Eduardo aceitou compor como suplente de André do Prado. Valdemar articulou o acordo. Tarcísio apoiou a costura. E Ricardo Salles decidiu atacar todo mundo sem filtro nenhum.
O episódio escancarou algo que já vinha sendo comentado há meses em Brasília: a direita está longe de viver um clima de união absoluta. Pelo contrário. As disputas por espaço, poder e influência dentro do grupo parecem cada vez maiores, principalmente pensando nas eleições que se aproximam. E dessa vez, até a relação entre Bolsonaro e o próprio filho acabou entrando no meio da turbulência política.