Vulcão entra em erupção na e deixa três mortos

O clima de aventura acabou virando tragédia na Indonésia depois que uma forte erupção vulcânica no Monte Dukono deixou pelo menos três mortos e mobilizou uma enorme operação de resgate na região. O caso aconteceu entre quinta (7) e sexta-feira (8) e chamou atenção no mundo inteiro, principalmente pelas imagens assustadoras da explosão e pelos relatos de quem conseguiu escapar por muito pouco.

Entre as vítimas estão moradores de Singapura e também um cidadão indonésio, segundo informações divulgadas pelas autoridades locais. O Monte Dukono fica na ilha de Halmahera, na província de Maluku do Norte, uma área conhecida justamente pela intensa atividade vulcânica. Mesmo assim, o lugar costuma atrair muitos turistas e aventureiros interessados em trilhas radicais e paisagens diferentes.

No momento da erupção havia cerca de 20 excursionistas subindo a montanha. Entre eles estavam nove estrangeiros e onze turistas locais. O chefe de polícia de Halmahera do Norte, Erlichson Pasaribu, afirmou à imprensa da Indonésia que parte do grupo foi surpreendida quando já estava muito perto da borda da cratera.

Até a noite de sexta, 17 pessoas tinham sido retiradas com segurança. Só que três continuavam desaparecidas. Sobreviventes contaram que essas pessoas teriam morrido durante a explosão do vulcão, embora a agência de resgate ainda evitasse confirmar oficialmente naquele momento.

No sábado, equipes encontraram dois turistas de Singapura perto da cratera. O estado deles ainda não estava totalmente claro nas primeiras informações divulgadas pela Reuters, o que aumentou ainda mais a tensão entre familiares e autoridades.

A operação de busca precisou ser interrompida durante a madrugada por causa do risco de novas explosões e da baixa visibilidade. Na manhã seguinte, os trabalhos voltaram com cerca de 100 agentes, incluindo policiais, militares, bombeiros e equipes especializadas em resgate em área vulcânica. Dois drones com câmera térmica também foram usados pra tentar localizar sobreviventes em pontos de difícil acesso.

Um dos relatos que mais chamou atenção foi o do guia de montanha Alex Djangu. Ele estava acompanhando dois turistas alemães quando começou a sentir tremores muito fortes na região da cratera. Segundo ele, o cenário ficou estranho horas antes da erupção principal.

Djangu contou que ouviu sons vindo do fundo do vulcão por volta das 15h da quinta-feira. Desconfiado, decidiu usar um drone para observar a cratera do alto. As imagens mostravam algo incomum: muito material vulcânico acumulado no interior do monte.

“Não era normal. Depois ouvimos duas explosões”, contou ele em vídeo divulgado nas redes sociais.

Pouco tempo depois, ele viu grupos de turistas caminhando em direção ao topo. O guia disse que a grande erupção aconteceu justamente quando muitos excursionistas estavam aproveitando a vista e gravando vídeos no local. Segundo ele, dava pra ver pedras pequenas e cascalhos deslizando devido aos tremores.

“Falei pros meus clientes correrem imediatamente”, disse.

Ele e os dois turistas alemães conseguiram escapar. Outros grupos, porém, permaneceram próximos da cratera. Em um momento emocionado do vídeo, Djangu chega a dizer: “Espero que eles ainda estejam vivos”.

As imagens registradas impressionam bastante. Uma coluna gigantesca de fumaça, cinzas e material vulcânico subiu rapidamente aos céus, deixando o ambiente quase totalmente escuro em alguns pontos da montanha. O vulcão continuou ativo até a tarde de sexta-feira, emitindo sons descritos pelo guia como “supersônicos”.

O caso também levantou questionamentos sobre segurança no local. Djangu criticou a falta de fiscalização nas trilhas do Monte Dukono. Segundo ele, praticamente não existem barreiras impedindo turistas de subir a montanha mesmo em períodos de alta atividade vulcânica.

Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas durante a fuga. Algumas tiveram queimaduras leves e ferimentos causados por pedras lançadas durante a explosão.

As autoridades da Indonésia reforçaram o alerta para que moradores e turistas não se aproximem do vulcão enquanto a atividade continuar intensa. Desde dezembro de 2024, o Centro de Vulcanologia já recomendava que ninguém entrasse em um raio de quatro quilômetros da cratera.

O Monte Dukono é considerado um dos vulcões mais ativos da Indonésia. O país inteiro fica localizado no chamado “Anel de Fogo do Pacífico”, região famosa pela grande quantidade de terremotos e erupções vulcânicas. Nos últimos anos, episódios parecidos têm acontecido com frequência em áreas turísticas da Ásia, reacendendo debates sobre limites de visitação e segurança em regiões de risco.



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