Após barrar Dosimetria, oposição faz novo pedido de impeachment de Moraes

A Batalha Política: O Impeachment de Alexandre de Moraes e as Consequências no Congresso

Na última terça-feira, dia 12, a oposição no Congresso Nacional apresentou um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse movimento é parte de uma estratégia mais ampla dos deputados de direita, que buscam reverter as decisões monocráticas da Corte. Recentemente, Moraes tomou medidas que resultaram na suspensão de alguns parlamentares, o que gerou um clima de tensão entre os poderes.

A Decisão de Moraes e a Lei da Dosimetria

A decisão de Moraes, que tem gerado polêmica, está intrinsecamente ligada à aplicação da Lei da Dosimetria. O ministro propôs que os indivíduos condenados em relação aos eventos de 8 de janeiro só poderão ter suas penas reduzidas após uma resposta do Congresso sobre a promulgação de uma lei que beneficia os presos por tentativa de golpe de Estado. Isso levanta questões sobre a autonomia do Legislativo e a atuação do Judiciário, criando um embate que promete se intensificar.

Propostas da Oposição e a PEC da Decisão Monocrática

Além do impeachment, os deputados da oposição estão pressionando por celeridade na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8 de 2021, conhecida como PEC da Decisão Monocrática. Essa proposta visa limitar as medidas unilaterais tomadas por ministros do STF, buscando um equilíbrio entre os poderes. O deputado Zé Trovão, do PL-SC, criticou a atuação de Moraes, afirmando que suas decisões estão ofuscando os trabalhos do Legislativo e qualificando sua postura como “psicopatia”.

“Não se pode gastar milhões para manter o Congresso funcionando e, quando a Casa aprova uma lei, um homem por ação monocrática anule isso. É aí que você vê a psicopatia de alguém que já passou de todos os limites”, disse Trovão em uma coletiva de imprensa. Essa declaração reflete o descontentamento crescente com a atuação do STF e seu impacto nas decisões legislativas.

O Papel da PEC da Anistia

Outro ponto importante nessa discussão é a proposta de uma PEC da Anistia, que está sendo defendida por alguns líderes da oposição. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), e o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), estão propondo essa medida como uma forma de anistiar os envolvidos nos eventos de 8 de janeiro. A expectativa é coletar assinaturas suficientes para que a proposta avance até a próxima quinta-feira, dia 14.

Suspensão de Deputados e a Reação da Oposição

A coletiva da oposição também destacou o apoio a três deputados que tiveram suas suspensões aprovadas pelo Conselho de Ética na semana anterior. Marcos Pollon (PL-MS), Zé Trovão e Marcel van Hattem (Novo-RS) foram suspensos por dois meses por terem ocupado a Mesa Diretora da Casa em agosto de 2025. A oposição acredita que é possível barrar essa suspensão no plenário da Câmara, prometendo articular ações para evitar a votação.

“Vamos tentar trancar essas suspensões de deputados perseguidos. Vamos resolver no plenário, solicitar o trancamento de todos os inquéritos, por mais que o Supremo barre. Vou lutar até o fim”, declarou Zé Trovão, demonstrando sua determinação em contestar as decisões do Conselho de Ética e do STF.

O Caminho a Seguir

Para recorrer à CCJ, os deputados têm um prazo de cinco dias úteis após a publicação do parecer aprovado pelo Conselho no Diário Oficial da Câmara, que ainda não aconteceu. A decisão final sobre a suspensão será do plenário, que requer o apoio de 257 deputados para confirmar a medida. Marcel van Hattem já se manifestou contra a decisão, considerando-a injusta e anunciou sua intenção de recorrer à CCJ.

As ações no Conselho foram apresentadas pela Mesa Diretora da Câmara em setembro do ano passado, seguindo uma recomendação do corregedor da Casa, deputado Diego Coronel (PSD-BA). Essa situação revela um cenário de conflitos e disputas de poder que pode impactar significativamente o funcionamento do Legislativo nos próximos meses.

Essa batalha política em torno do impeachment de Alexandre de Moraes e as propostas de emenda à Constituição refletem a polarização e a tensão que marcam o atual cenário político brasileiro. Enquanto a oposição busca formas de reverter decisões que consideram injustas, a atuação do STF continua a ser um ponto de controvérsia, destacando a complexidade das relações entre os diferentes poderes da República.



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