O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente americano Donald Trump segue repercutindo nos bastidores da política internacional e também nas redes sociais. Em entrevista concedida ao jornal americano The Washington Post, Lula resolveu abrir um pouco mais do que aconteceu durante a conversa entre os dois líderes e acabou soltando declarações que rapidamente chamaram atenção.
Sem fugir das perguntas e mantendo aquele jeito mais descontraído que costuma usar em entrevistas, Lula afirmou que não precisa fazer esforço algum para mostrar a Trump que seria “melhor que Jair Bolsonaro”. Segundo ele, isso já estaria claro para o republicano. A fala acabou dividindo opiniões na internet, principalmente entre apoiadores e críticos do atual governo brasileiro.
“Eu jamais pediria para Trump não gostar de Bolsonaro. Esse é um problema dele. Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso”, declarou o presidente brasileiro durante a entrevista.
O comentário pegou muita gente de surpresa porque, nos últimos anos, Trump sempre demonstrou uma aproximação maior com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Inclusive, muita gente chegou a comparar o estilo político dos dois durante o período em que ambos estavam no poder. Mesmo assim, Lula parece ter apostado em outra estratégia durante o encontro: o humor.
De acordo com o próprio presidente, o clima da reunião não foi pesado como alguns imaginavam. Pelo contrário. Lula contou que tentou quebrar o gelo fazendo brincadeiras, inclusive sobre a expressão mais séria de Trump. Segundo ele, manter um ambiente menos tenso ajuda até mesmo nas negociações mais difíceis.
“Se eu conseguir fazer Trump rir, posso alcançar outras coisas também. Não dá para simplesmente desistir”, comentou Lula, dando risada ao lembrar da conversa.
O encontro entre os dois teria durado cerca de três horas e, segundo Trump, foi “muito produtivo”. O americano também descreveu Lula como um presidente “dinâmico”, algo que repercutiu bastante fora do Brasil. Analistas políticos chegaram a comentar que essa aproximação inesperada mostra uma tentativa de manter pontes diplomáticas abertas, mesmo existindo diferenças ideológicas enormes entre os dois lados.
Nos últimos meses, o cenário internacional ficou ainda mais delicado por conta das guerras e tensões envolvendo países como Irã, Israel e Venezuela. E Lula deixou claro que não pretende mudar de posição apenas para agradar os Estados Unidos.
Durante a entrevista, ele reforçou que o Brasil não deve abaixar a cabeça para nenhuma potência mundial. A declaração veio em um tom firme, quase como um recado diplomático.
“Quem abaixa a cabeça talvez não consiga erguê-la novamente. O Brasil tem muito orgulho do que é. Não precisamos nos curvar a ninguém”, afirmou.
Lula também aproveitou para reforçar suas divergências políticas com Trump. Segundo ele, continua sendo contra conflitos envolvendo o Irã, critica intervenções externas na Venezuela e voltou a condenar a situação na Palestina, que classificou como um genocídio. Mesmo assim, disse que consegue separar as diferenças políticas da relação institucional entre chefes de Estado.
“Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina. Mas minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado”, explicou.
Nos bastidores de Brasília, aliados do governo avaliam que Lula tenta reforçar a imagem de um líder experiente no cenário internacional. Já opositores enxergam exagero em algumas declarações do presidente. Como quase tudo na política brasileira atualmente, o encontro virou munição para debates acalorados nas redes.
Antes de encerrar a entrevista, Lula ainda destacou que deseja ser tratado com respeito pelos Estados Unidos e fez questão de lembrar que foi eleito democraticamente pelo povo brasileiro.
“O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”, concluiu.