O cenário envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Daniel Vorcaro ganhou novos capítulos nos bastidores de Brasília e acabou chamando atenção até de gente do mercado financeiro que já acompanha de perto a crise envolvendo o Banco Master. Segundo informações divulgadas recentemente, Lula teria aconselhado Vorcaro a não vender o banco para o BTG Pactual. A conversa aconteceu ainda no dia 4 de dezembro de 2024, dentro do Palácio do Planalto, numa reunião reservada que contou com ministros, executivos e nomes fortes do setor econômico.
O assunto veio a tona depois que documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a chamada Operação Compliance Zero passaram a circular entre investigadores. A operação apura possíveis fraudes e irregularidades envolvendo o Banco Master, que nos últimos meses virou alvo constante de especulações e debates nos bastidores políticos e financeiros de Brasília.
De acordo com os registros encontrados pela PF, Daniel Vorcaro conversou em abril de 2025 com o sócio Augusto Lima sobre uma possível venda do banco para o BTG. O detalhe que mais chamou atenção foi justamente o valor simbólico discutido entre eles: R$ 1. Isso mesmo, apenas um real. Nas mensagens obtidas pela investigação, Vorcaro demonstra preocupação extrema com vazamentos e pede segredo absoluto sobre as negociações.
“irmão, pelo amor de Deus, não passa isso pra ninguém”, escreveu o empresário em uma das conversas. Augusto respondeu logo em seguida concordando com o pedido e reforçando o sigilo. O clima ali aparentava ser de tensão total, principalmente porque o mercado já começava a desconfiar da situação delicada enfrentada pelo banco.
Antes da tentativa de negociação com o BTG, o Banco Master também chegou a ser oferecido ao BRB, banco estatal ligado ao Distrito Federal. Só que a operação não foi pra frente. Problemas envolvendo carteiras de crédito e dúvidas sobre a saúde financeira da instituição acabaram pesando contra o acordo. Meses depois, em setembro de 2025, o Banco Central decidiu barrar oficialmente a transação. Já em novembro do mesmo ano, o Master acabou entrando em liquidação.
Outro ponto que chamou bastante atenção foi uma reunião realizada em Brasília entre Vorcaro, Augusto Lima e Gabriel Galípolo. O encontro aconteceu em abril de 2025 e tinha justamente o objetivo de discutir o futuro da instituição financeira. Mesmo assim, a venda para o BTG nunca avançou de verdade.
Segundo relatos divulgados pelo site Poder360, Vorcaro chegou a perguntar diretamente para Lula se deveria vender o banco ou continuar tentando competir no mercado de crédito brasileiro, que hoje é dominado por gigantes financeiros. O empresário teria dito que não queria “confusão” e que via a negociação como uma saída possível diante da pressão que o banco enfrentava.
Lula, por outro lado, demonstrou simpatia pela ideia de fortalecer a concorrência entre bancos e reduzir a concentração financeira no país. Nos bastidores do governo, esse tipo de discurso já vem aparecendo desde o início do atual mandato. A avaliação de aliados é que poucos bancos ainda controlam uma fatia muito grande do mercado nacional, dificultando espaço para instituições menores crescerem.
A reunião no Planalto contou também com a presença do ministro Rui Costa e do ministro Alexandre Silveira. Além deles, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega participou do encontro atuando como consultor do Banco Master, algo que também gerou comentários nos corredores de Brasília.
Depois da reunião, Daniel Vorcaro ainda trocou mensagens com a namorada comemorando o encontro com Lula e os ministros. Ele classificou a agenda como “ótima” e aparentava estar otimista naquele momento. Só que o cenário mudou rápido nos meses seguintes, principalmente após o aumento das investigações e da pressão do Banco Central sobre a instituição.
Toda essa história acabou virando mais um ingrediente no já turbulento clima político e econômico do país, ainda mais em um momento onde Brasília vive tensão constante entre mercado financeiro, governo federal e órgãos de fiscalização. Nos últimos dias, o assunto tomou conta das redes sociais e também passou a ser debatido em programas políticos e econômicos da televisão.