Marcello Lopes, mais conhecido nos bastidores políticos como Marcelão, virou assunto em Brasília depois de uma confusão pesada envolvendo a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro. O ex-policial, que cuidava da comunicação do grupo político, teria sido desligado da equipe após um episódio de descontrole dentro do comitê eleitoral. Apesar da versão oficial falar em saída voluntária, pessoas ligadas ao núcleo da campanha afirmam que ele foi, na verdade, demitido.
As informações foram divulgadas inicialmente pela coluna Radar, da revista Veja, assinada pelo jornalista Robson Bonin, na sexta-feira, dia 22 de maio. O caso rapidamente começou a repercutir nos bastidores políticos de Brasília, principalmente porque aconteceu num momento delicado da pré-campanha de Flávio.
Segundo relatos publicados pela coluna, toda a crise teria começado poucos dias depois do vazamento de um áudio comprometedor. Na gravação, Flávio Bolsonaro aparecia fazendo declarações de lealdade ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que acabou sendo preso em investigações ligadas a corrupção e negócios considerados suspeitos pelas autoridades.
O clima dentro do comitê, que já tava pesado, piorou de vez. Integrantes da equipe começaram a desconfiar uns dos outros, tentando descobrir quem teria passado informações para a imprensa. E foi justamente nesse ambiente de tensão que Marcelão perdeu completamente a cabeça.
De acordo com os relatos, o ex-policial se exaltou durante uma discussão no quartel-general da pré-campanha, localizado no Lago Sul, área nobre de Brasília. Aos gritos, ele teria apontado o dedo no rosto de colegas de trabalho e acusado integrantes da equipe de traição. O episódio assustou quem estava no local.
Ainda conforme a publicação, Marcelão dizia que existiam “traidores” dentro do grupo político e ameaçou ir atrás das pessoas que, segundo ele, estariam vazando informações sigilosas para jornalistas. Testemunhas afirmam que o clima ficou tão fora de controle que algumas pessoas preferiram deixar o ambiente por medo da situação piorar ainda mais.
No meio da discussão, ele também teria socado uma mesa de vidro, quebrado objetos da produtora responsável pelo material da campanha e feito ameaças contra funcionários que trabalhavam diretamente ao lado dele. A cena acabou chegando rapidamente ao conhecimento da cúpula do Partido Liberal, que decidiu intervir antes que a situação tomasse proporções ainda maiores.
Aliados próximos de Flávio Bolsonaro tentaram inicialmente minimizar o ocorrido. A versão divulgada oficialmente era de que Marcelão havia pedido desligamento por motivos pessoais. Só que, nos corredores da política, praticamente ninguém acreditou nessa narrativa. Pessoas ligadas ao partido passaram a dizer reservadamente que a saída aconteceu por pressão interna depois do escândalo.
Nos bastidores, muita gente ficou surpresa com a intensidade da reação do ex-policial. Marcelão era considerado um nome de confiança dentro do grupo bolsonarista e já atuava havia algum tempo na área de comunicação política. Justamente por isso, o episódio causou desconforto dentro do próprio núcleo aliado.
Com a saída dele, quem assumiu o comando da comunicação da pré-campanha foi Eduardo Fischer. A missão agora é tentar reorganizar a equipe e diminuir os impactos negativos causados pela crise interna. Nos últimos meses, a disputa política no Brasil vem sendo marcada por vazamentos, brigas de bastidor e disputas internas cada vez mais expostas publicamente, algo que tem se tornado frequente tanto na direita quanto na esquerda.
Enquanto isso, o episódio envolvendo Marcelão segue repercutindo nas redes sociais e também entre aliados políticos. Tem gente que acredita que a crise ainda pode gerar novos desgastes para a campanha de Flávio Bolsonaro, principalmente pela sequência de polêmicas envolvendo nomes próximos ao senador nas últimas semanas.