Hoje é meu velório: homem com câncer terminal celebra despedida com chope, roda de samba e risadas

Uma Celebração da Vida em Campo Grande

Em Campo Grande, o clima era de festa, com abraços calorosos, sorrisos genuínos e lágrimas que traziam um toque de afeto em vez de dor. Tiago, um homem diagnosticado com câncer de estômago e que não tinha perspectivas de cura, decidiu organizar um evento único: reunir todos que ama para celebrar a vida antes que fosse tarde demais. Ele queria, assim, compartilhar cada momento, cada história e cada homenagem.

O Dia da Celebração

Naquela manhã, Tiago acordou com um pensamento inusitado: “Hoje é o dia do meu velório.” Para muitos, essa ideia soaria estranha, mas para ele, era uma oportunidade de viver intensamente. “Foi engraçado, porque a gente não acorda normalmente pensando: opa, hoje é o dia do meu velório. Essa sensação é muito maluca”, disse ele ao g1 antes do evento.

No entanto, o que aconteceu naquele espaço, um antigo galpão de uma cervejaria, não se assemelhava a um velório convencional. O lugar estava ornamentado com flores vibrantes, música animada e pessoas dispostas a celebrar a vida de Tiago, que se recusou a ser definido pela sua doença. “Hoje não é uma despedida. Hoje é dia de celebrar a vida. Apesar do nome ser velório, não se trata de morte. É uma festa sobre viver”, enfatizou ele.

A Inspiração por Trás da Ideia

A ideia de fazer essa celebração nasceu de uma experiência marcante. Em agosto de 2024, durante o velório de seu pai, Tiago percebeu que a cerimônia, apesar de bonita, estava incompleta. Amigos compartilhavam histórias e risadas, mas ele sentiu falta da presença do homenageado. “Ninguém sabe mais sobre meu pai do que ele mesmo. Faltou ele ali”, refletiu.

Foi nesse momento que Tiago tomou a decisão de não deixar que isso acontecesse com ele. “Decidi que não ia faltar no meu velório.” O que começou como um pequeno encontro entre amigos rapidamente ganhou proporções maiores, atraindo pessoas de diferentes lugares.

Um Evento que Tocou o Coração

Entre os convidados estavam Lícia Freitas e Ramon Santos, que viajaram de João Pessoa, na Paraíba, para participar dessa celebração. Eles se emocionaram ao conhecer a história de Tiago através da mídia e sentiram uma forte conexão com ele. Lícia, que perdeu seu pai para o mesmo tipo de câncer, compartilhou: “Meu pai teve muita coragem, muita resiliência e aceitou a morte como consequência da vida. Em nenhum momento lamentou.”

Ramon também comentou sobre a força de Tiago, que não permitiu que a aproximação da morte paralisasse sua vida, mas que, pelo contrário, o fez viver intensamente.

Como Tudo Começou

A história de Tiago começou durante a virada de ano de 2023 para 2024, em Bonito. Durante a ceia, ele começou a perceber que algo não estava certo com sua saúde. Após meses de exames, veio o diagnóstico: adenocarcinoma gástrico. A princípio, a expectativa era de cirurgia, mas logo os médicos descobriram que o câncer já estava disseminado.

“Eu descobri que não tinha cura. Que teria de viver com aquilo; provavelmente, morrer daquilo”, compartilhou Tiago. Mas ao invés de se deixar abater, ele decidiu encarar a situação com coragem. “Quando recebi o diagnóstico, foi até um alívio. Eu sabia quem era o inimigo. E decidi: eu tenho câncer, mas o câncer não me tem.”

Viver em vez de Morrer

Durante a celebração, Tiago repetiu várias vezes a mensagem que queria transmitir aos seus convidados. “As pessoas perguntam para mim como é estar morrendo. E eu só tenho uma resposta para dar: eu não estou morrendo, eu estou vivendo”, disse ele. Para ele, a doença era apenas uma parte de sua história, e ele tinha a intenção de aproveitar ao máximo o tempo que lhe restava.

Vestindo um traje colorido que escolheu especialmente para a ocasião, Tiago circulou entre os convidados, recebeu abraços, ouviu histórias e participou das apresentações musicais. Ele resumiu o que esperava daquele dia em poucas palavras: “Eu quero abraçar e ser abraçado. Eu quero receber carinho, dar carinho. Eu quero rir. Eu quero chorar de emoção.”

E foi exatamente isso que aconteceu. Em Campo Grande, naquele sábado, Tiago não estava sendo velado; ele estava vivendo. Uma verdadeira lição de vida para todos os presentes, mostrando que, mesmo diante da adversidade, é possível encontrar motivos para celebrar.



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