O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), voltou a fazer críticas à gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Durante um evento realizado nesta quinta-feira (11), no Sindicato dos Engenheiros, na região central da capital paulista, Haddad afirmou que diversos contratos de concessão ferroviária assinados por Tarcísio quando ele era ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro precisaram ser revistos pela atual administração federal.
Segundo o petista, praticamente todos os acordos relacionados às ferrovias tiveram que passar por ajustes após a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao poder. De acordo com Haddad, o trabalho de revisão foi conduzido pelo ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), com acompanhamento do Tribunal de Contas da União (TCU).
Ao conversar com jornalistas após o evento, Haddad não poupou palavras ao comentar o assunto. Ele afirmou que Tarcísio seria um “especialista em assinar contrato mal feito”, argumentando que vários documentos firmados durante a gestão anterior apresentavam problemas que exigiram correções posteriores.
A fala ocorre em meio ao aumento das disputas políticas entre integrantes do governo federal e aliados do governador paulista, que vem sendo apontado por setores da direita como um possível nome para futuras disputações presidenciais. Nos bastidores da política nacional, o clima entre os grupos segue bastante acirrado.
As críticas de Haddad não ficaram restritas apenas às concessões ferroviárias. O ministro também comentou a privatização da Sabesp, empresa responsável pelos serviços de saneamento básico no estado de São Paulo. O processo foi concluído em julho de 2024 e gerou debates intensos tanto entre apoiadores quanto entre opositores da medida.
Na operação, o governo paulista vendeu cerca de 32% das ações da companhia, de um total de 50,3% que estavam sob controle do Estado. A negociação movimentou aproximadamente R$ 14,8 bilhões e foi considerada uma das maiores privatizações realizadas nos últimos anos no país.
Para Haddad, no entanto, o contrato firmado apresenta falhas importantes. Segundo ele, quando uma privatização é conduzida de maneira inadequada, os problemas acabam surgindo na fase de execução e administração do acordo. O ministro afirmou que contratos mal elaborados costumam gerar conflitos, questionamentos jurídicos e dificuldades operacionais ao longo do tempo.
“Quando você privatiza mal, você cria uma série de problemas para administrar depois”, declarou o ministro durante sua participação no encontro. Na avaliação dele, existem diversos pontos no contrato que merecem atenção e que poderiam ter sido melhor estruturados desde o início.
O debate sobre a privatização da Sabesp continua dividindo opiniões. Enquanto defensores da medida afirmam que a entrada do capital privado pode aumentar investimentos e acelerar a universalização dos serviços de água e esgoto, críticos sustentam que o modelo adotado pode trazer riscos para a população e reduzir o controle público sobre um setor considerado essencial.
As declarações de Haddad repercutiram rapidamente nas redes sociais e nos meios políticos. Aliados de Tarcísio saíram em defesa do governador, enquanto integrantes do PT reforçaram as críticas apresentadas pelo ministro. A expectativa agora é de que o embate continue nos próximos meses, especialmente com a aproximação das eleições de 2026, que já começam a movimentar o cenário político brasileiro.
Entre acusações, respostas e trocas de críticas, fica evidente que a relação entre os dois grupos políticos está longe de ser tranquila. E, ao que tudo indica, temas como infraestrutura, concessões e privatizações continuarão ocupando espaço central nas discussões sobre o futuro do estado de São Paulo e do país.