A morte do menino Arthur de Mello da Silva, de apenas 11 anos, segue causando grande comoção na Baixada Fluminense e agora ganhou um novo desdobramento. Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que a criança ingeriu terbufós-sulfóxido, substância popularmente conhecida como chumbinho, após consumir um pedaço de bolo. A descoberta fez com que a Polícia Civil do Rio de Janeiro passasse a investigar o caso como um possível homicídio por envenenamento.
De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades, os peritos encontraram vestígios da substância tóxica em materiais recolhidos durante a lavagem gástrica realizada em Arthur logo após ele dar entrada no hospital. O resultado reforçou uma suspeita que já vinha sendo levantada pela família desde os primeiros dias da internação.
No mesmo exame também foram encontrados traços de lidocaína e midazolam. Segundo especialistas, esses medicamentos costumam ser utilizados em procedimentos médicos de emergência e podem ter sido administrados durante o atendimento hospitalar. Por isso, a principal atenção dos investigadores está concentrada na presença do chumbinho, considerado extremamente perigoso e proibido para comercialização no Brasil.
Arthur passou mal pouco tempo depois de participar de uma celebração familiar realizada no dia 31 de maio. Conforme relataram parentes, o garoto havia consumido um pedaço de bolo antes de começar a apresentar sintomas preocupantes. Diante da gravidade da situação, ele foi levado às pressas para o Hospital Estadual Ricardo Cruz, em Nova Iguaçu.
Desde sua chegada à unidade de saúde, o estado clínico da criança era considerado muito delicado. Arthur permaneceu internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebendo acompanhamento constante de médicos e enfermeiros. Durante os dias de internação, o quadro apresentou diversas complicações, incluindo alterações de pressão arterial e a necessidade de suporte respiratório.
Mesmo com todos os esforços da equipe médica, a saúde do menino continuou se agravando. Com o passar dos dias, Arthur desenvolveu um grave inchaço cerebral e deixou de responder aos tratamentos aplicados. Na noite da última quinta-feira, 11 de junho, ele não resistiu às complicações provocadas pelo envenenamento e acabou falecendo.
A confirmação da presença do veneno no organismo da vítima fortaleceu a linha de investigação adotada pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Agora, os agentes trabalham para descobrir como a substância foi parar no alimento consumido pela criança e se houve participação de terceiros na contaminação.
Antes mesmo da divulgação oficial do resultado toxicológico, o pai do menino, Ademir de Mello, já demonstrava desconfiança sobre a possibilidade de envenenamento. No dia 2 de junho, ele registrou um boletim de ocorrência na 64ª Delegacia de Polícia, em São João de Meriti, relatando suspeitas de que o filho teria ingerido chumbinho.
A partir desse novo cenário, testemunhas devem ser ouvidas nos próximos dias. Os investigadores também analisam informações, depoimentos e outros elementos que possam ajudar a esclarecer o que realmente aconteceu. Uma das prioridades da polícia é entender se a presença do veneno no bolo foi resultado de um acidente ou de uma ação intencional.
Enquanto as investigações avançam, familiares seguem buscando respostas. A mãe de Arthur, Lindiane da Silva, emocionou moradores da região ao afirmar que a única cura para sua dor será a punição dos responsáveis. “A cura do meu filho é a Justiça”, declarou.
O caso continua sendo acompanhado de perto pela população da Baixada Fluminense. Nas redes sociais e entre moradores da região, o sentimento é de revolta e tristeza. Muitas pessoas cobram rapidez na apuração e esperam que a polícia consiga esclarecer todos os detalhes por trás da morte do garoto. Até o momento, nenhuma hipótese foi descartada, e o trabalho das autoridades segue em andamento.