“Dark Horse”: Produtora diz que filme sobre Bolsonaro custou R$ 75 milhões

Os Bastidores de ‘Dark Horse’: A Verdade por Trás da Cinebiografia de Jair Bolsonaro

A cinebiografia ‘Dark Horse’, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi alvo de investigação, mas uma perícia contratada pela Go Up Entertainment, a produtora do filme, revelou informações surpreendentes sobre os gastos e a origem dos recursos utilizados na produção. Segundo o laudo, o custo total do filme alcançou a impressionante cifra de R$ 75 milhões, mas, por incrível que pareça, não houve envolvimento de verba pública para a sua realização. Isso levanta uma série de questões sobre como um projeto desse porte pode ser financiado apenas com recursos privados.

Investigação e Perícia

No início deste mês, a Go Up Entertainment se tornou o centro de uma operação que investiga possíveis desvios de verbas públicas em São Paulo. Contudo, conforme o Instituto de Perícia Investigativa (IPI), que conduziu a análise, a empresa utilizou apenas recursos que podem ser rastreados e identificados documentadamente. O perito responsável, Anísio Costa Castelo Branco, destacou que as movimentações financeiras foram realizadas de forma transparente, e não constataram o uso de dinheiro público, incentivos ou mesmo a utilização da Lei Rouanet.

O laudo do IPI menciona que a análise considerou entradas e saídas financeiras, abrangendo despesas com a equipe técnica, fornecedores, logística e outros custos operacionais tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No entanto, uma questão intrigante permanece: qual a origem exata desses recursos? O IPI, em sua defesa, argumenta que os contratos analisados estão sob a proteção da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), tornando a revelação de detalhes financeiros uma questão delicada.

Contratos e Investimentos

Um dos contratos relevantes citados na perícia é o firmado com o fundo Havengate, que investiu um total de US$ 13 milhões, ou seja, cerca de R$ 75 milhões. Esse fundo é suspeito de estar vinculado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, conhecido por suas ligações com o Banco Master, que atualmente está sob investigação. A Polícia Federal está estudando maneiras de quebrar o sigilo do fundo para entender melhor a natureza desse financiamento.

O filme ‘Dark Horse’ é descrito como uma produção audiovisual que, embora fictícia, é livremente inspirada na figura de Jair Bolsonaro. O próprio título, que se traduz como ‘cavalo da raça’, remete à ideia de um competidor que, por não ser considerado um favorito, pode surpreender — uma referência clara ao triunfo de Bolsonaro nas eleições de 2018. Essa conexão entre o título e a narrativa do filme parece ter sido uma escolha intencional para gerar identificação entre os apoiadores do ex-presidente.

Expectativas e Possíveis Mudanças

A estreia do filme estava inicialmente marcada para o dia 11 de setembro deste ano, mas agora pode ser adiada para depois das eleições, em função das investigações em andamento e para evitar complicações na exibição. Os bolsonaristas, que esperavam usar o filme como uma ferramenta durante a campanha eleitoral, veem essa situação com preocupação. A trama se complica ainda mais com a divulgação de áudios que envolvem Flávio Bolsonaro, o filho do ex-presidente, e o banqueiro Vorcaro, onde Flávio discute sobre a obtenção de recursos para a produção do filme.

Embora a perícia tenha confirmado um gasto total de R$ 75 milhões, há alegações de que Flávio negociou um repasse de até US$ 24 milhões, o que equivale a R$ 134 milhões, levantando mais questionamentos sobre a transparência do financiamento. Além disso, uma reportagem da Folha de S.Paulo revelou que deputados estaduais de São Paulo direcionaram pelo menos R$ 700 mil a entidades ligadas à produtora, acendendo um alerta sobre possíveis irregularidades.

Operação Wi-Fi Livre

No início de junho, a Polícia Civil lançou a Operação Wi-Fi Livre, que investiga fraudes em licitações da Prefeitura de São Paulo, onde a Go Up Entertainment e seu envolvimento no projeto ‘Dark Horse’ foram mencionados. A operação está focada em eventuais irregularidades relacionadas à operação de pontos de acesso à rede de wi-fi pública na cidade, um programa conhecido como WiFi Livre SP. Flávio Bolsonaro já se manifestou sobre a investigação, afirmando que não tem relação com o filme em questão.

Com todo esse contexto, ‘Dark Horse’ se torna mais do que apenas um filme; é um símbolo de uma série de complexidades políticas e financeiras que cercam a figura de Jair Bolsonaro e seu legado. A situação atual gera um misto de expectativa e incerteza entre os apoiadores e críticos do ex-presidente, enquanto o futuro do filme permanece nebuloso.



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