As investigações da Polícia Federal continuam trazendo novos detalhes sobre o suposto esquema que envolvia pessoas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Um relatório revelado nesta semana chamou atenção por mostrar métodos considerados incomuns e até cinematográficos para evitar rastreamentos e dificultar o trabalho das autoridades.
De acordo com o documento, integrantes do grupo costumavam realizar encontros em locais discretos, longe de olhares curiosos. Conversas aconteciam em pilotis de prédios residenciais, dentro de carros de luxo estacionados em pontos estratégicos e, segundo os investigadores, até números de telefone estrangeiros eram utilizados para dificultar eventuais monitoramentos.
A Polícia Federal afirma que essas práticas faziam parte da rotina de uma estrutura organizada que teria atuado para proteger interesses específicos. Entre os nomes citados na investigação estão Daniel Vorcaro e Felipe Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”. Ele é apontado pelos investigadores como uma das pessoas responsáveis por transmitir ordens relacionadas a supostas ações de intimidação.
Além deles, o relatório menciona dois grupos distintos. O primeiro era chamado de “A Turma”, formado principalmente por policiais e ex-policiais. Já o segundo, conhecido como “Os Meninos”, reuniria profissionais com conhecimento avançado em tecnologia e sistemas digitais.

Segundo a PF, a liderança de “A Turma” estaria nas mãos de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado. Os investigadores sustentam que ele utilizava sua experiência adquirida ao longo da carreira, além de uma ampla rede de contatos, para coordenar ações consideradas coercitivas e obter informações sigilosas. Entre os colaboradores citados aparece também Sebastião Monteiro Júnior, igualmente aposentado da corporação.
Enquanto isso, o núcleo tecnológico teria sido comandado por David Henrique Alves. Conforme a investigação, ele seria o responsável por coordenar especialistas em tecnologia que atuariam em invasões cibernéticas e em ataques destinados a derrubar perfis de pessoas consideradas desafetas do grupo.
Um dos episódios descritos no relatório aconteceu no dia 1º de março de 2026 e chamou atenção dos investigadores. Na ocasião, Sebastião Monteiro enviou uma mensagem para Marilson Roseno comentando que ônibus com torcedores para uma partida do Atlético estavam saindo da frente de sua residência. Na conversa, ele sugeriu que Marilson deixasse o carro em sua casa e seguisse viagem junto com os demais passageiros.
A resposta, porém, foi negativa. Marilson afirmou que não iria ao jogo e comentou que havia pensado em levar sua filha, mas desistiu da ideia. Logo depois, fez um convite diferente: pediu para que Sebastião fosse até o prédio onde ele morava, localizado na Avenida Assis Chateaubriand, no bairro Floresta, Região Leste de Belo Horizonte.
Segundo as mensagens analisadas pela Polícia Federal, Marilson disse que precisava conversar sobre “uma ideia” antes do início da partida. Também orientou que Sebastião avisasse quando chegasse ao local para que pudesse descer até a portaria. Em determinado trecho da conversa, ele explicou que preferia falar do lado de fora porque estava acompanhado de outras pessoas em seu apartamento.
As imagens obtidas pelas câmeras de segurança do edifício reforçaram a linha de investigação. Os registros mostram que, às 17h06, Marilson deixou um grupo de amigos que estava reunido na área de lazer do condomínio e se dirigiu até a entrada do prédio para encontrar Sebastião.
Depois do encontro, os dois caminharam até o pilotis do edifício. Foi justamente ali que permaneceram sozinhos durante aproximadamente uma hora e dez minutos. Para os investigadores, esse tipo de comportamento demonstra uma preocupação constante em manter determinadas conversas longe de testemunhas e de possíveis mecanismos de monitoramento.
O caso segue sob investigação e novos desdobramentos ainda podem surgir nos próximos dias, à medida que a Polícia Federal avança na análise das mensagens, imagens e demais materiais recolhidos durante a apuração.