Lula em Minas: Desafios e Expectativas na Politica Estadual
Nesta sexta-feira, dia 19, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza uma série de compromissos em Minas Gerais, mesmo sem ter um palanque eleitoral definido no estado para as eleições que se aproximam em outubro. A situação se complica ainda mais após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) em concorrer ao governo mineiro, deixando os petistas em busca de um nome forte para liderar a chapa estadual.
Reuniões e Decisões em Andamento
Na manhã do dia 18, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, se reuniu com a bancada mineira e o diretório estadual do partido para discutir a questão do palanque. Contudo, até o momento, não foi definido nenhum candidato. Durante essa reunião, o PT de Minas apresentou uma pesquisa que avaliou a popularidade de nomes de políticos tanto do próprio partido quanto de aliados, revelando que a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, se destaca como uma favorita. No entanto, a sigla parece determinada a não abrir mão da sua candidatura ao Senado.
Os deputados federais Reginaldo Lopes e Rogério Correia também foram mencionados como possíveis candidatos, e, segundo os relatos, todos os três petistas superaram outros pré-candidatos de partidos aliados, como o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), que tem conversado com a cúpula nacional do PT. Apesar disso, o diretório estadual ainda se mostra relutante em declarar um nome e pretende consultar Lula antes de tomar uma decisão final.
Compromissos em Belo Horizonte
O primeiro compromisso de Lula foi em Belo Horizonte, onde ele fez importantes anúncios relacionados à assistência oncológica no SUS (Sistema Único de Saúde). Durante o evento, foram apresentados os avanços na transformação do Hospital Luxemburgo, parte da Rede Mário Penna, que também contará com um novo equipamento de radioterapia para tratamento de câncer. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve presente, ressaltando a importância do evento.
Inauguração do Hospital Regional de Divinópolis
Após a agenda na capital, Lula seguiu para o centro-oeste mineiro para a inauguração do Hospital Regional de Divinópolis, uma cidade com cerca de 230 mil habitantes que é conhecida por ser um ponto de apoio tanto para a base governista quanto para a oposição. Essa visita, que coincide com um momento eleitoral, já provocou uma série de debates e polêmicas na política local.
A última vez que Lula esteve em Divinópolis foi em 2010, quando inaugurou um campus da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), que leva o nome de sua mãe, Dona Lindu. A construção do novo hospital, que estava paralisada desde 2016, foi retomada em 2023, com um investimento de cerca de R$ 40 milhões, proveniente do Termo de Medidas de Reparação, firmado após a tragédia em Brumadinho que vitimou 272 pessoas.
Embora o hospital tenha sido construído com esses recursos, ele será administrado pela HU Brasil pelos próximos 20 anos, um órgão vinculado ao MEC. O governo federal reconheceu o papel do governo estadual na construção e na equipagem do hospital, mas deixou claro que a doação foi feita à UFSJ. A expectativa é que a operação do hospital comece até maio de 2027, com 198 leitos disponíveis para atendimento via SUS.
Disputas Políticas e Controvérsias
O ex-governador Romeu Zema criticou a presença de Lula, afirmando que é fácil para o presidente tentar se apropriar dos méritos pela conclusão do hospital, ressaltando que ele herdou “um cemitério de obras inacabadas”. Zema, que é adversário político de Lula, defendeu que a inauguração do hospital é uma tentativa do PT de enganar a população local no ano eleitoral.
O clima de disputa não se limita apenas aos políticos, mas também se estende à família Azevedo, que é um clã político em Divinópolis. Cleitinho Azevedo (Republicanos) e seu irmão gêmeo, Gleidson Azevedo, têm opiniões divergentes sobre a visita do presidente. Gleidson, que foi prefeito da cidade até março de 2026, deixou o cargo para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Cleitinho elogiou a visita de Lula, afirmando que ele deve ser respeitado como presidente da República.
Expectativas para o Futuro
O PT, por meio de seus integrantes em Minas, está ciente de que a presença de Lula pode ser um fator decisivo para fortalecer a articulação política em torno da formação de um palanque governista para as próximas eleições. A deputada Lohanna Franca (PV) acredita que a visita é um sinal claro da necessidade de resolver as questões em torno do palanque e ressalta que o campo progressista ainda não tem definição clara na eleição.
Para os mineiros, a entrega do hospital é vista como um compromisso com a saúde pública e uma oportunidade para que o governo federal se conecte com as necessidades da população local. A expectativa é de que, com a finalização do hospital e a sua operação, a região possa se beneficiar de um atendimento mais eficaz e acessível no SUS.
Em meio a essa situação, o cenário político em Minas Gerais continua a evoluir, com Lula e os petistas na expectativa de definir um palanque forte que os represente nas eleições de outubro.