Greve afeta circulação de ônibus no RJ; veículos são vandalizados

Greve dos Rodoviários do Rio: O Que Você Precisa Saber

A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro teve início à meia-noite desta segunda-feira, 29 de outubro, após uma assembleia no domingo, dia 28, onde a categoria decidiu parar suas atividades. Este movimento, que é por tempo indeterminado, está afetando a operação do sistema de ônibus na capital carioca e, consequentemente, o deslocamento de milhares de pessoas que dependem desse transporte diariamente.

Decisões Judiciais e Consequências

De acordo com o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), uma liminar foi imposta, exigindo que pelo menos 50% da frota de ônibus circulasse durante os horários de pico e 25% nos demais períodos. Caso essa determinação não seja cumprida, uma multa diária de R$ 50 mil será aplicada, tanto ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros do Município do Rio de Janeiro (Sintrucad-Rio) quanto ao Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus).

Em uma nota oficial, o Rio Ônibus afirmou que as empresas estão se esforçando para manter o serviço ativo e facilitar o transporte da população. Nas primeiras horas da greve, aproximadamente 800 ônibus continuavam em operação, mas a situação é tensa, e a quantidade pode não ser suficiente para atender a demanda.

Incidentes Durante a Greve

Durante a paralisação, o sindicato patronal relatou que 30 ônibus foram vandalizados, o que prejudica ainda mais o atendimento aos passageiros. Diante disso, os consórcios de ônibus pediram que motoristas e outros trabalhadores do setor retornem às garagens para ajudar a restabelecer a normalidade dos serviços. Contudo, o presidente do Sintrucad-Rio, Sebastião José, mencionou que a situação é complicada, pois o sindicato não recebeu do Rio Ônibus as escalas de trabalho necessárias para cumprir a determinação judicial.

“Estamos tendo um problema para cumprir a determinação judicial, porque o sindicato encaminhou ofício ao Rio Ônibus solicitando a escala dos trabalhadores que estariam escalados para cumprir a decisão judicial. Até agora, não recebemos absolutamente nada”, disse Sebastião. Ele também destacou que a falta dessa escala inviabiliza a identificação dos profissionais que deveriam estar trabalhando.

Reivindicações dos Rodoviários

A greve é motivada por uma série de reivindicações que os rodoviários apresentaram. Entre elas, destaca-se a proposta de reajuste salarial. O Rio Ônibus sugeriu um aumento de R$ 150,15 para motoristas convencionais, elevando o salário de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31. Para os motoristas de ônibus articulados, o aumento seria de R$ 180,17, passando de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. Além disso, o auxílio-alimentação também deveria subir de R$ 660 para R$ 689.

Contudo, o presidente do Sintrucad-Rio criticou os índices apresentados, afirmando que “são mais de trinta anos cedendo aos argumentos do patronal, mas agora essa situação precisa e vai mudar”. Durante a assembleia que decidiu pela greve, os trabalhadores reafirmaram suas reivindicações, que incluem:

  • Mudança da data-base para 1º de março;
  • Salário de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados;
  • Salário de R$ 4 mil para os demais motoristas;
  • Fim dos contratos temporários e contratação pelo regime da CLT para os profissionais do BRT;
  • Tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
  • Jornada de trabalho de 5×2;
  • Manutenção do passe livre para a categoria;
  • Indenização de 30 minutos do intervalo de almoço;
  • Implementação de plano de saúde e plano odontológico.

Expectativas Futuras

“Queremos apenas o que nos é de direito. Espero que esse impasse entre a prefeitura e o Rio Ônibus seja resolvido, evitando assim que mais uma vez milhares de usuários paguem o preço dessa briga de poderes”, declarou Sebastião José. A situação é delicada e a população aguarda ansiosamente por uma solução que traga de volta a normalidade ao transporte público, que é vital para o cotidiano de muitos cariocas.



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