Marciele reflete sobre legado de cunhã-poranga: “Muito além da arena”

A Jornada Inspiradora de Marciele Nogueira

Muito mais do que apenas uma competidora no famoso Bumbódromo, a cunhã-poranga Marciele Nogueira, de 32 anos, é um verdadeiro símbolo da resistência e da história dos povos originários da Amazônia. Como atual campeã do Festival Folclórico de Parintins pelo boi Caprichoso, ela tem se destacado não só pela dança, mas pela forma como compartilha sua conexão espiritual e cultural com a sua arte. Em uma conversa reveladora com a CNN Brasil, Marciele falou sobre sua trajetória e como essa experiência é muito mais do que um simples título.

A Conexão Espiritual e a Identidade Amazônica

Quando Marciele reflete sobre sua estreia no festival, que ocorreu em 2017, ela percebe um amadurecimento que vai além da dança. Para ela, a consagração no festival é um ato de afirmação da identidade amazônica. “O sentimento que eu tinha quando comecei é muito parecido com o que sinto hoje. Não é só um sonho, é uma imaginação que se tornou realidade. Ser cunhã-poranga é um papel que carrego com muito orgulho, pois representa mulheres, ancestralidade e uma responsabilidade enorme”, compartilha.

Com o passar do tempo, a conexão espiritual de Marciele com a arena se fortaleceu ainda mais. Ela entra no Bumbódromo com a certeza de quem está representando. “Cada história que é contada nas toadas, cada narrativa apresentada, faz parte da minha vivência real. Antes de entrar, eu sempre peço força e licença aos meus ancestrais para poder honrar essa missão da melhor maneira possível”, diz ela.

O Papel da Amazônia na Cultura Brasileira

Num momento em que a Amazônia está sob os holofotes do Brasil e do mundo, Marciele se destaca como uma voz ativa e um rosto representativo da região. “É uma responsabilidade enorme, mas também uma honra. Ser mulher indígena é algo que me enche de orgulho. Estar na arena do festival é uma chance de mostrar a minha cultura, minha arte e as lutas que enfrentamos”, afirma.

Ela espera que o público consiga ver a Amazônia para além das árvores e da floresta. “Quero que as pessoas conheçam os povos que habitam aqui, suas histórias e culturas, além das dificuldades que enfrentamos no dia a dia. Se minha arte consegue ajudar nesse diálogo, sinto que estou cumprindo minha missão”, acrescenta.

O Legado e os Planos Futuros

Com seu nome gravado na história do boi Caprichoso, Marciele está determinada a continuar sua jornada além dos limites de Parintins. Mesmo que a dança e o festival façam parte da sua vida desde a infância, seus planos vão muito além. “Fora da arena, meu maior sonho é ser uma ponte, uma voz que conecta o Norte com o resto do Brasil. Além de dançarina, sou ativista. Trabalho em causas que acredito, tanto dentro quanto fora da arena, para alcançar um número maior de pessoas”, revela.

O verdadeiro título que ela busca é o impacto social que sua representatividade pode gerar. “Quero criar projetos que valorizem a cultura indígena, incentivem as crianças e os jovens a se orgulharem de suas origens e ampliem os espaços onde nossas vozes possam ser ouvidas. Se a minha trajetória puder inspirar outras meninas a acreditarem em seus sonhos e a se manterem fiéis à sua identidade, sentirei que conquistei algo ainda mais significativo do que qualquer título”, conclui a campeã.



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