Quase dez anos depois do impeachment que mudou os rumos da política brasileira, o ex-presidente Michel Temer voltou a comentar um detalhe que, segundo ele, nunca mudou desde aquele período. Em entrevista concedida ao UOL, Temer revelou que a ex-presidente Dilma Rousseff nunca mais conversou com ele após deixar o Palácio do Planalto, em 2016.
Temer foi eleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff durante as eleições de 2014. Dois anos mais tarde, porém, a relação entre os dois acabou sendo marcada pelo processo de impeachment que retirou a petista da Presidência da República. Com a saída de Dilma, Temer assumiu oficialmente o comando do país e permaneceu no cargo até o fim daquele mandato.
Mesmo depois de todo esse tempo, o ex-presidente insiste em afirmar que não participou das articulações políticas que levaram ao afastamento de Dilma. Segundo ele, sempre foi acusado por apoiadores do Partido dos Trabalhadores, mas garante que não trabalhou para derrubar a então presidente.
Durante a entrevista, Temer lembrou que, no primeiro discurso feito quando assumiu a Presidência de forma interina, fez questão de demonstrar respeito institucional por Dilma. Ele recordou que pediu até mesmo uma salva de palmas para a ex-presidente durante sua fala.
“Se você verificar o meu discurso de posse na interinidade, eu disse que respeitava muito, institucionalmente, a senhora ex-presidente”, afirmou. Em seguida, revelou que, desde aquele momento, Dilma nunca mais manteve qualquer contato com ele. “Ela nunca mais falou comigo”, declarou.
O ex-presidente também comentou sobre os desafios encontrados ao assumir o governo em maio de 2016. Segundo Temer, o Brasil vivia um momento bastante complicado, tanto na economia quanto no cenário político. Para ele, era necessário reconstruir a confiança do país diante da população e também da comunidade internacional.
Na avaliação do ex-presidente, aquele período exigia medidas rápidas para recuperar a estabilidade econômica. Temer voltou a defender as reformas realizadas durante seu governo e afirmou que elas foram importantes para melhorar o ambiente econômico e recuperar parte da credibilidade perdida nos anos anteriores.
Outro assunto lembrado foi a Operação Lava-Jato, que na época concentrava grande parte das atenções no país. Temer afirmou que seu governo garantiu autonomia para que a operação continuasse atuando sem interferências políticas. Segundo ele, havia o compromisso de proteger as investigações contra qualquer tentativa de enfraquecimento.
Ao relembrar o discurso feito logo após assumir a Presidência, Temer destacou novamente que evitou discutir os motivos que levaram ao impeachment. Na ocasião, preferiu reforçar o respeito às instituições democráticas e ao funcionamento da Constituição.
Ele afirmou que fazia questão de registrar seu respeito institucional à ex-presidente Dilma Rousseff e ressaltou que o momento exigia responsabilidade no tratamento das questões envolvendo os poderes da República. Para Temer, preservar as instituições era uma prioridade naquele cenário de forte tensão política.
Nos últimos anos, o impeachment de Dilma continua sendo tema de debates entre políticos, juristas e especialistas. Enquanto alguns defendem que o processo ocorreu dentro das regras previstas pela Constituição, outros consideram que houve motivações essencialmente políticas. Essa discussão permanece presente mesmo quase uma década depois dos acontecimentos.
Já no fim da entrevista, Temer também comentou sobre o papel desempenhado pelo Supremo Tribunal Federal nos últimos anos. Ele elogiou a atuação da Corte e fez referência ao ministro Alexandre de Moraes, afirmando que determinadas decisões tomadas principalmente durante o período eleitoral contribuíram para fortalecer a democracia brasileira.
As declarações voltam a colocar em evidência um dos capítulos mais marcantes da história política recente do Brasil. Mesmo passados vários anos, os desdobramentos do impeachment de Dilma Rousseff seguem provocando repercussões e continuam fazendo parte das discussões sobre os rumos da política nacional.