A defesa de Jair Bolsonaro (PL) voltou ao Supremo Tribunal Federal (STF) com um novo pedido que pode mudar a rotina do ex-presidente durante o período de prisão domiciliar. Desta vez, os advogados querem que a Justiça autorize a entrada de Geovanna Kathleen Ferreira Lima, meia-irmã de Michelle Bolsonaro, na casa onde Bolsonaro permanece cumprindo as medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes.
Segundo os advogados, o pedido foi feito por causa da situação de saúde de Michelle Bolsonaro. Eles afirmam que ela vem enfrentando crises frequentes de enxaqueca e precisa passar por exames em um hospital. Existe ainda a possibilidade de uma internação, caso os médicos entendam que isso seja necessario. Se isso acontecer, a ex-dama Michelle Bolsonaro não teria condições de cuidar da filha Laura adolescente e nem prestar assistência ao marido Jair Bolsonaro, motivo pelo qual a presença da meia-irmã seria importante nesse momento delicado.
No documento apresentado ao STF, a defesa tenta convencer o ministro Alexandre de Moraes de que a autorização tem caráter exclusivamente familiar e humanitário. A intenção seria garantir que alguém de confiança da família permaneça na residência para dar apoio enquanto Michelle estiver realizando os procedimentos médicos. Até agora, porém, não existe confirmação oficial sobre uma eventual internação, nem detalhes sobre o estado de saúde dela além das informações apresentadas pelos próprios advogados.
O pedido chega em um momento delicado. Bolsonaro continua cumprindo prisão domiciliar e enfrenta uma série de restrições impostas pela Justiça. Entre elas está a proibição de receber visitas de praticamente qualquer pessoa. Apenas advogados e profissionais de saúde podem entrar na residência sem necessidade de autorização especial. Qualquer outra visita depende de uma decisão do Supremo.
Essas medidas ficaram ainda mais rígidas depois de um episódio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. Na ocasião, ele divulgou uma carta escrita pelo pai durante uma visita. Para Alexandre de Moraes, essa atitude acabou burlando a determinação que impede Bolsonaro de utilizar redes sociais ou qualquer outro meio indireto para divulgar mensagens ao público.
Na decisão, Moraes foi bastante duro ao analisar o caso. O ministro afirmou que a atitude de Flávio Bolsonaro desrespeitou claramente as determinações judiciais impostas ao ex-presidente. Segundo ele, houve um desvio da finalidade da visita autorizada, já que o encontro acabou sendo usado para tornar pública uma manifestação de Bolsonaro, algo que estava proibido pelas medidas cautelares.
Depois desse episódio, o ministro decidiu aumentar as restrições. Flávio Bolsonaro ficou impedido de visitar o pai até o encerramento do período eleitoral, reforçando ainda mais o isolamento imposto ao ex-presidente. A decisão chamou bastante atenção e gerou debates entre aliados e adversários políticos sobre os limites das medidas determinadas pelo STF.