AGU cita falta de compromisso e deve pedir derrubada do Discord no Brasil

Governo Brasileiro Toma Medidas Contra Discord e Telegram Após Operações Contra Violência Digital

Recentemente, o advogado-geral da União, Jorge Messias, fez um pedido ao Ministério da Justiça sobre a Operação Lívia, que foi realizada na terça-feira (4). Essa operação teve como foco redes criminosas que utilizavam plataformas digitais, como o Discord, para promover atos de violência contra mulheres e meninas. Este é um assunto sério e que precisa de atenção, pois a violência digital tem se tornado um problema cada vez mais presente na sociedade.

Ação Civil Pública e Responsabilidade das Plataformas

Durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, que ocorreu na quinta-feira (6), Messias anunciou sua intenção de mover uma ação civil pública contra o Discord. O objetivo é responsabilizar a plataforma e exigir sua retirada do Brasil, devido à suposta falta de compromisso com a legislação brasileira. É uma medida drástica, mas que mostra a urgência da situação.

A primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, também se manifestou sobre o tema, pedindo que a plataforma seja banida. Segundo ela, “a gente precisa atuar junto com o Judiciário para tirar essa rede horrorosa do ar”. Essa declaração ressalta a preocupação do governo com a segurança das crianças e adolescentes na internet.

Acusações e Notificações às Plataformas

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o Telegram e o Discord de não cumprirem as regras estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, bem como pelos decretos presidenciais que ampliaram as responsabilidades das plataformas digitais. Essas regras entraram em vigor no início de julho e têm como objetivo proteger a integridade das crianças e adolescentes na internet.

Após a deflagração das operações Lívia e Rede Interrompida, o Ministério da Justiça notificou ambas as plataformas. As notificações incluem a suspensão das contas de cinco adolescentes e de um adulto investigados na Operação Lívia. Além disso, foi ordenada a remoção dos servidores utilizados para transmissões ao vivo que incentivavam a violência contra meninas.

Verificação Etária e Falhas de Segurança

A principal crítica ao Discord é a acusação de descumprimento das regras de verificação etária que foram estabelecidas. Desde que a nova norma entrou em vigor, a autodeclaração de idade não é mais aceita como método de verificação no Brasil. Um dos adolescentes investigados, por exemplo, conseguiu acessar o Discord afirmando ter 148 anos. Isso levanta questões sérias sobre a eficácia das medidas de segurança da plataforma.

O governo também revelou que transmissões ao vivo estavam sendo realizadas por crianças e adolescentes. Em uma das situações mais graves, uma transmissão que resultou na morte de uma adolescente de apenas 13 anos ficou no ar por cerca de 50 minutos antes que qualquer ação fosse tomada. Isso demonstra uma clara falha na vigilância da plataforma em relação ao conteúdo que estava sendo transmitido.

Telegram e a Circulação de Conteúdos Criminosos

Enquanto isso, o Telegram também está sob fogo cruzado. O Ministério da Justiça acusa a plataforma de não ter conseguido impedir a circulação de conteúdos criminosos em grupos abertos. Com o novo decreto que regulamenta as mudanças no Marco Civil da Internet, grupos públicos passaram a ter as mesmas obrigações das redes sociais. O governo acredita que o Telegram deveria ter tomado medidas mais eficazes para impedir a disseminação de conteúdos nocivos.

Possíveis Sanções e Ações Futuras

A situação é tensa, e as consequências podem ser severas. O Ministério da Justiça encaminhou os casos à ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), para que investigue possíveis falhas sistêmicas das plataformas. As sanções podem incluir multas de até R$ 50 milhões, suspensão temporária das atividades e, em casos extremos, o banimento das plataformas do Brasil.

A CNN Brasil tentou entrar em contato com as plataformas para obter uma resposta, mas ainda está aguardando um retorno. O espaço continua aberto para manifestações e esclarecimentos.



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