Companheiros e ex-companheiros são 79,8% dos autores de feminicídio

Feminicídio e Vicaricídio: Um Olhar Sobre a Violência de Gênero no Brasil

Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado um aumento alarmante na violência de gênero, especialmente na forma de feminicídio. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, os dados de 2025 revelam que cerca de 79,8% dos autores identificados de feminicídios eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Essa estatística é pertubadora, pois contrasta com a realidade de outros tipos de morte violenta, em que a proporção de autores próximos é significativamente menor, apenas 7%. Isso nos leva a refletir sobre as dinâmicas de poder e controle presentes nas relações afetivas que muitas vezes terminam em tragédia.

O que é o Vicaricídio?

Recentemente, a discussão sobre o chamado vicaricídio tomou força, especialmente após a aprovação de uma nova lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 9 de abril. Essa legislação tipifica o crime de vicaricídio, que se refere ao assassinato de terceiros, geralmente filhos ou pessoas próximas, com o objetivo de causar sofrimento psicológico extremo à mulher. Para que esse crime se configure, é necessário provar que o agressor tinha a intenção de atingir emocionalmente a mulher com o homicídio da vítima, que pode ser um ente querido dela.

A Nova Lei e Suas Implicações

A nova legislação estabelece penas que variam de 20 a 40 anos de reclusão para homicídios cometidos contra descendentes, ascendentes, dependentes ou qualquer pessoa sob a guarda da mulher, quando a intenção for causar sofrimento. Isso representa um avanço significativo na proteção das mulheres, reconhecendo que a violência de gênero pode se manifestar de maneiras muito mais amplas do que apenas a agressão direta.

Casos Recentes e a Realidade do Vicaricídio

Infelizmente, casos recentes de feminicídio e vicaricídio evidenciam a necessidade urgente de discussão sobre essa temática. Um exemplo chocante foi o caso de um pai que, em São Paulo, confessou ter matado suas duas filhas, de apenas 3 e 5 anos. Ele já havia feito ameaças à ex-companheira e às crianças. A advogada criminalista Clara Duarte Fernandes explica que esse tipo de violência não se limita apenas às crianças, mas muitas vezes é uma estratégia para atingir a mãe, criando um ciclo de dor e controle.

Violência como Forma de Controle

Além disso, outro caso alarmante envolve um homem preso por ameaçar matar sua ex-companheira e seus filhos, incluindo gêmeas de 11 anos e um menino de 7. A polícia conseguiu resgatar as crianças em segurança, mas a situação revela como a violência pode ser usada como um meio de controle e manipulação. Clara também destaca a dificuldade que muitas mulheres enfrentam ao tentar denunciar essas ameaças, especialmente quando há filhos envolvidos. O medo de represálias e o descrédito em relação aos relatos das mães são barreiras significativas.

A Necessidade de Ação e Conscientização

É crucial que a sociedade como um todo se mobilize para combater essa violência. A ampliação da legislação sozinha não é suficiente. Precisamos de um sistema que apoie as mulheres e facilite a denúncia de situações de violência. Muitas vezes, as vítimas enfrentam um sistema que as desencoraja a falar, devido ao medo de repercussões legais ou sociais. Portanto, é essencial promover a conscientização sobre os direitos das mulheres e as formas de proteção disponíveis.

Reflexões Finais

A luta contra o feminicídio e o vicaricídio não é apenas uma questão legal, mas também social. Todos nós temos um papel a desempenhar na criação de um ambiente onde as mulheres se sintam seguras e protegidas. É fundamental que possamos ouvir e apoiar aquelas que enfrentam essas situações, ajudando-as a quebrar o silêncio e a buscar justiça. A mudança começa em cada um de nós, e é necessário um esforço coletivo para erradicar essa forma de violência em nossa sociedade.

Se você ou alguém que você conhece está enfrentando violência doméstica, não hesite em buscar ajuda. Existem recursos disponíveis que podem oferecer apoio e orientação.



Recomendamos