PF intima policial candidato que prendeu Lula para explicar “pixuleco”

Policial Federal Danilo Campetti é convocado para depor sobre boneco inflável de Lula

No cenário político atual, algumas situações chamam bastante atenção e uma delas envolve o policial federal Danilo Campetti. Ele foi convocado pela Polícia Federal para um depoimento que ocorrerá na próxima terça-feira, 25. A razão? A corporação está investigando sua possível participação em um ato que aconteceu na Avenida Paulista, em São Paulo, onde um boneco inflável do presidente Lula estava vestido de presidiário e supostamente ‘preso’ por Campetti.

Quem é Danilo Campetti?

Campetti é um policial que se destacou na corporação, especialmente por sua especialização em escolta de autoridades. Ele foi um dos policiais que fez a prisão de Lula em 7 de abril de 2018 e ainda participou da condução coercitiva do ex-presidente no mês de março de 2016, sob a ordem do juiz Sérgio Moro.

Após os eventos que marcaram a vida política de Lula, Campetti teve sua trajetória ligada a Jair Bolsonaro. Em 2018, ele começou a escoltar o então candidato e, após a vitória de Bolsonaro, recebeu nomeações para cargos federais, atuando como assessor no Ministério da Agricultura e no Ministério da Infraestrutura, à época sob o comando de Tarcísio de Freitas. Em 2021, ele foi homenageado por Bolsonaro em uma cerimônia no Palácio do Planalto.

Carreira política e polêmicas

A carreira política de Campetti deu um passo à frente em 2022, quando ele se candidatou a deputado estadual pelo Republicanos. Durante sua campanha, uma imagem onde ele aparece prendendo Lula foi utilizada de forma bastante estratégica. Naquela época, ele também fez campanha ao lado de Tarcísio, que era candidato ao governo de São Paulo.

Contudo, sua trajetória não foi isenta de controvérsias. Um tiroteio em Paraisópolis, que levou à morte de uma pessoa, chamou a atenção da mídia. Campetti estava de folga da PF, mas mostrou seu distintivo durante o conflito. Apesar de ter recebido 52.393 votos, ele não conseguiu a eleição, ficando como segundo suplente. Porém, Tarcísio solicitou sua cedência à Polícia Federal, e Campetti se tornou assessor especial do governador.

Retorno à Polícia Federal e novo envolvimento

O que parecia ser um caminho tranquilo para Campetti rapidamente mudou. Em junho de 2023, a PF pediu seu retorno e instaurou um processo disciplinar sobre o incidente em Paraisópolis, resultando em sua suspensão por 180 dias. Após essa reestruturação, Tarcísio reorganizou seu secretariado, e Campetti assumiu a vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em 27 de junho de 2024, cargo que manteve até abril deste ano, quando o episódio do boneco na Avenida Paulista aconteceu.

O caso do boneco inflável

A convocação da PF a Campetti se deve a um ofício que aponta que o policial teria sido visto em publicações em redes sociais junto ao boneco inflável de Lula, em um ato político que ocorreu no dia 1º de março de 2026. Além disso, o documento menciona que o mesmo boneco foi exibido durante uma festa de aniversário em São José do Rio Preto, cidade natal de Campetti.

Campetti se defende, negando qualquer envolvimento nos eventos. Ele argumenta que não tem responsabilidade sobre as ações de terceiros e que, ao chegar na festa de aniversário, pediu para que o boneco fosse retirado. Em relação ao ato na Paulista, ele também se posiciona, dizendo que não tinha relação com o que ocorreu ali.

Legalidade do procedimento

Além de se defender, Campetti questionou a legalidade da investigação, afirmando que apenas o próprio Lula ou o ministro da Justiça poderiam solicitar a abertura de um processo por crime contra a honra, o que não ocorreu. “Eu não tenho como ter ação sobre a conduta das outras pessoas. Além disso, tudo aconteceu no período em que eu estava no mandato de deputado. Não tem por que a instituição me investigar em ato disciplinar”, disse ele em uma entrevista.

Por outro lado, a Polícia Federal esclareceu que não está conduzindo uma investigação criminal, mas sim um procedimento administrativo para apurar os fatos. Esta diferença é crucial, uma vez que muitos podem confundir a apuração administrativa com uma investigação criminal. A Secom e o Ministério da Justiça, até o momento, não comentaram sobre o assunto.

Conclusão

A situação de Danilo Campetti é um exemplo claro das complexidades que envolvem a política e a atuação policial no Brasil. Com as eleições se aproximando, o desfecho desse caso pode ter impactos significativos não apenas na carreira de Campetti, mas também nas dinâmicas políticas em São Paulo. Para quem acompanha a política nacional, será interessante observar como essa história se desenrolará nos próximos dias e quais repercussões ela poderá trazer.



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