A discussão sobre a redução da jornada de trabalho voltou a ganhar espaço no cenário político brasileiro e passou a ocupar um lugar importante na corrida presidencial de 2026. A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que atualmente atua como coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, criticou a proposta de diminuir a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e acabar com a chamada escala 6×1.
Durante um evento promovido pelo grupo LIDE, ligado ao empresário e ex-governador João Doria, Daniella afirmou que considera a proposta “populista” e avaliou que uma eventual mudança poderia provocar aumento significativo nos custos das empresas. A declaração gerou repercussão justamente porque o assunto vem sendo tratado como uma das principais pautas relacionadas ao mercado de trabalho neste período eleitoral.
Na avaliação da economista, o problema não estaria exatamente na escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias e tem um dia de descanso. Para ela, a questão principal seria a falta de liberdade para que empregados e empregadores possam negociar diretamente as condições de trabalho.
Daniella defendeu que diferentes formatos de jornada deveriam ser permitidos, desde que houvesse um acordo entre as partes. Segundo ela, a interferência do Estado nas relações trabalhistas deveria ser menor.
“O problema não é a 6 x 1. O problema é a falta de liberdade do cidadão para discutir o seu contrato com o empregador, sem o Estado interferir. Então, somos a favor da liberdade e da ampliação dessa liberdade”, afirmou.
Outro ponto levantado pela ex-presidente da Caixa foi o impacto financeiro que uma redução da jornada poderia provocar para as empresas. Na visão dela, não seria suficiente simplesmente diminuir a quantidade de horas trabalhadas sem considerar quem teria que arcar com os custos dessa mudança.
Daniella classificou o debate como “inócuo na realidade atual das famílias brasileiras” e afirmou que o trabalhador deveria ter liberdade para decidir quanto deseja trabalhar. Ela também questionou a ideia de que a redução da jornada representaria necessariamente uma conquista para o empregado.
“É um debate populista, inócuo na realidade atual das famílias brasileiras. O cara tem que ter liberdade para trabalhar o quanto ele quiser”, declarou durante o evento.
A economista também argumentou que uma redução das horas trabalhadas poderia aumentar as despesas das empresas com mão de obra. Na avaliação dela, esse custo acabaria sendo levado em consideração pelos empregadores e poderia produzir efeitos sobre a contratação e a organização das atividades.
A posição defendida por Daniella coloca a equipe econômica de Flávio Bolsonaro em contraste direto com uma das principais bandeiras defendidas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo apoia a redução da jornada semanal e o fim da escala 6×1, com o argumento de que os trabalhadores precisam ter mais tempo para descanso, convivência familiar e atividades pessoais.
Com a aproximação das eleições de 2026, o tema ganhou ainda mais força no debate político. A jornada de trabalho passou a representar uma diferença clara entre os grupos que defendem maior flexibilização das relações trabalhistas e aqueles que defendem mudanças na legislação para garantir mais dias de descanso.
O assunto promete continuar sendo discutido durante a campanha, principalmente porque envolve diretamente trabalhadores e empresários. De um lado, existe a preocupação com qualidade de vida e tempo de descanso. Do outro, aparecem os questionamentos sobre produtividade, custos e capacidade das empresas de absorver uma eventual mudança.
Nesse cenário, a declaração de Daniella Marques mostra que a redução da jornada e o fim da escala 6×1 deverão permanecer entre os temas mais sensíveis da disputa eleitoral de 2026.