Lula não perdoa e detona profissão de lixeiro: “Coisa pobre”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou neste sábado (29), em Belo Horizonte, Minas Gerais, do ato nacional Mulheres com Lula. Durante o encontro, que reuniu apoiadoras e integrantes de movimentos ligados à sua base política, o presidente falou sobre trabalho, reconhecimento profissional e também fez uma reflexão sobre a importância dos trabalhadores responsáveis pela limpeza das cidades.

Em determinado momento do discurso, Lula citou os profissionais que trabalham na coleta de lixo e na limpeza urbana. Ao comentar sobre essas atividades, afirmou que existe uma diferença na maneira como algumas profissões são vistas pela sociedade. Segundo ele, trabalhadores como engenheiros e médicos costumam demonstrar orgulho ao falar sobre suas ocupações, enquanto quem trabalha recolhendo lixo nem sempre recebe o mesmo reconhecimento.

“Eu, quando eu passo na rua e eu vejo aquelas pessoas que trabalham colhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho”, declarou o presidente.

Na sequência, Lula comparou a forma como as pessoas costumam falar de suas profissões. Ele citou exemplos como engenheiros e médicos, dizendo que existe um sentimento de orgulho associado a essas carreiras. Em relação aos trabalhadores da limpeza, porém, o presidente afirmou que a profissão acaba sendo vista como uma atividade destinada a quem não teve oportunidade de estudar.

A fala rapidamente chamou atenção justamente por tratar de uma categoria que exerce uma função considerada essencial para o funcionamento das cidades. Todos os dias, garis e coletores de lixo circulam pelas ruas, muitas vezes começando o trabalho ainda de madrugada, para evitar que resíduos se acumulem nas áreas urbanas.

Depois da declaração, Lula procurou destacar outro ponto: a importância desses trabalhadores costuma ficar mais evidente quando o serviço não é realizado. Ele fez uma reflexão sobre o que aconteceria caso a coleta de lixo fosse interrompida por vários dias.

O presidente afirmou que, se os trabalhadores deixassem de retirar o lixo das ruas durante uma semana, a população que normalmente não percebe a presença deles passaria a notar imediatamente a falta do serviço.

“Eu fico pensando se aquelas pessoas que fazem a limpeza na rua soubessem a importância do trabalho deles, se eles soubessem que se eles não tirarem lixo durante uma semana, as pessoas que não enxergam ele durante o dia inteiro vão passar a enxergar”, disse.

A declaração ocorre em um momento de intensa movimentação política no país, com a aproximação das eleições de 2026 e a intensificação dos discursos voltados a diferentes setores da sociedade. Em eventos políticos, Lula tem buscado reforçar temas relacionados ao trabalho, renda e às condições de vida da população.

A limpeza urbana, apesar de muitas vezes passar despercebida na rotina, tem impacto direto na saúde pública e na organização das cidades. Quando a coleta funciona normalmente, o serviço pode parecer quase invisível. Basta, porém, alguns dias de interrupção para que sacos de lixo se acumulem, ruas fiquem sujas e os problemas apareçam rapidamente.

Foi justamente essa contradição que Lula procurou destacar em sua fala. Para o presidente, o trabalhador da limpeza deveria ser mais valorizado e reconhecido pela sociedade.

O episódio também mostra como discursos sobre profissões e trabalhadores podem gerar repercussão, principalmente quando determinadas categorias são apresentadas de maneira considerada inadequada. A fala deverá continuar sendo comentada nas redes sociais e no ambiente político nos próximos dias, especialmente entre apoiadores e críticos do governo.



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