Médicos entregam hábitos eficazes para controlar a pressão arterial

A hipertensão arterial é um problema de saúde que muitas vezes passa despercebido. Conhecida como “assassina silenciosa”, a pressão alta pode permanecer durante anos sem apresentar sintomas claros, enquanto provoca danos importantes no organismo. No Brasil, cerca de 30% da população adulta convive com a doença, segundo dados atribuídos ao Ministério da Saúde e à Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

O problema não deve ser ignorado. A hipertensão está relacionada a uma parcela significativa dos casos de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal crônica. Com o passar do tempo, a pressão elevada pode sobrecarregar o coração e prejudicar também os rins e o cérebro.

Por isso, controlar a pressão não depende apenas de remédios. A mudança de hábitos também tem um papel importante. Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e redução do estresse estão entre as medidas que podem contribuir para uma vida mais saudável.

O site norte-americano The Healthy conversou com médicos e especialistas em cardiologia, entre eles Ernst von Schwarz, Daniel Hermann, Harmony Reynolds e Sanjay Naik, para saber quais cuidados fazem parte da rotina deles. As recomendações apresentadas são semelhantes às orientações de entidades de saúde, como a SBC e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Um dos primeiros pontos é diminuir o consumo de sal. O excesso de sódio favorece o aumento da pressão arterial. A OMS recomenda que o consumo diário de sal não ultrapasse 5 gramas, aproximadamente uma colher de chá. No entanto, a ingestão média dos brasileiros costuma ficar bem acima desse limite.

Uma alternativa é usar alho, cebola, ervas, limão e outros temperos naturais para dar sabor aos alimentos, diminuindo a necessidade de acrescentar sal.

Outro cuidado importante é aprender a lidar com o estresse. Situações de tensão podem provocar alterações hormonais e aumentar temporariamente a pressão. Respiração, meditação, momentos de descanso e atividades prazerosas podem ajudar nesse processo.

Ter contato com animais de estimação também pode ser positivo. A convivência com cães e gatos, por exemplo, pode contribuir para diminuir ansiedade e estresse, além de favorecer momentos de relaxamento.

O sono merece atenção especial. Dormir aproximadamente entre sete e oito horas por noite ajuda o organismo a se recuperar e também beneficia a saúde cardiovascular. Noites mal dormidas, quando se tornam frequentes, podem afetar a pressão e outros aspectos do metabolismo.

Até mesmo rir pode fazer parte de uma rotina mais saudável. O riso está associado à liberação de substâncias que ajudam no bem-estar e podem reduzir os efeitos do estresse no organismo.

Também é importante evitar o cigarro e moderar o consumo de bebidas alcoólicas. O tabagismo prejudica as artérias, enquanto o consumo excessivo de álcool pode elevar a pressão e aumentar o risco de problemas cardiovasculares.

A atividade física completa a lista. Caminhadas, bicicleta, natação e outros exercícios aeróbicos praticados regularmente ajudam no condicionamento físico e podem contribuir para a redução da pressão arterial. Para muitas pessoas, começar com uma caminhada diária já representa uma mudança significativa.

Por fim, acompanhar a pressão é fundamental. Como a hipertensão frequentemente não apresenta sintomas, a única maneira de descobrir o problema é medir a pressão regularmente. Pessoas com histórico familiar ou outros fatores de risco podem precisar de acompanhamento mais frequente.

Os valores considerados adequados e os critérios para diagnóstico devem ser avaliados por um profissional de saúde, levando em conta o histórico de cada pessoa. Por isso, quem apresenta alterações repetidas na pressão não deve tentar fazer o diagnóstico sozinho.

No fim das contas, cuidar da pressão arterial é também cuidar do coração, dos rins e do cérebro. Pequenas mudanças na rotina, quando mantidas ao longo do tempo, podem fazer uma grande diferença na prevenção de complicações.



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