Ex-integrante do Opus Dei revela castigos físicos e psicológicos no grupo

Desvendando os Segredos do Opus Dei: A História de Enrique Mackenzie

Enrique Mackenzie, um ex-membro da instituição católica conhecida como Opus Dei, compartilhou experiências que podem ser consideradas profundamente perturbadoras. Ele passou por uma rotina diária extremamente rigorosa e supervisionada, que incluía não apenas práticas religiosas intensas, mas também castigos físicos e psicológicos severos.

A Vida no Opus Dei

Segundo Enrique, a rotina na instituição envolvia longas horas dedicadas à oração e a práticas que ele descreve como mortificações corporais. Uma das práticas mais inquietantes mencionadas por ele foi o uso de um cilício, um dispositivo que se assemelha a um aro com pontas. Ele era amarrado na perna durante pelo menos duas horas diariamente, uma experiência que, segundo ele, é bastante dolorosa.

“Existem coisas que se chamam mortificação corporal, isso é algo que usamos no Opus Dei,” disse ele em uma entrevista à CNN Brasil. “O cilício é incômodo — sim, porque, do contrário, não teria razão de ser —, mas de modo nenhum atrapalha as atividades normais de uma pessoa, e muito menos causa sangramentos”, argumentam os defensores da instituição em seu site.

Chicotes e Regras Severas

Além do cilício, Mackenzie revelou que os membros do Opus Dei também utilizavam chicotes durante as orações. Ele contou que uma vez por semana, era necessário se autoagredir com o chicote nas costas para se conformar com as regras do grupo. Essa prática, segundo ele, não era apenas física, mas também uma forma de pressão psicológica que permeava todas as atividades do cotidiano.

O Opus Dei, que é frequentemente retratado de forma negativa em filmes e na mídia, como no famoso “O Código Da Vinci”, se defende afirmando que essas práticas são tradições antigas da Igreja Católica, utilizadas por santos ao longo dos séculos. No entanto, para os ex-membros, como Enrique, essas práticas são vistas como abusos.

Pressão Psicológica e a Luta pela Aceitação

Enrique também falou sobre a pressão psicológica que enfrentou dentro do Opus Dei. Ele foi “identificado” como um homem gay e enviado a tratamentos psiquiátricos na esperança de “curar” o que a instituição considerava uma doença. “Aos 14 anos, descobri que gostava de homens e eles enxergavam isso como uma doença mental. Eventualmente, quando viram que eu não me curava, me mandaram para um psiquiatra,” explicou ele. Esse psiquiatra, que também era parte da organização, prescreveu medicamentos fortes, mas como a homossexualidade não é uma doença, nada funcionou e, finalmente, ele foi expulso.

“Fiquei cerca de sete anos fazendo terapia para me aceitar como um homem gay após sair do Opus Dei,” disse Enrique, refletindo sobre sua jornada dolorosa de autodescoberta e aceitação.

Série Documental da HBO

A história de Enrique Mackenzie e de outras vítimas do Opus Dei está sendo contada na série documental “O Bom Espírito: Por Detrás das Portas do Opus Dei”, disponível na HBO Max. A produção apresenta depoimentos reais de 14 homens que compartilharam suas experiências traumáticas dentro da instituição, revelando abusos espirituais, psicológicos e econômicos.

Com dramatizações e relatos pessoais, a série busca dar voz aos que sofreram em silêncio e iluminar a escuridão que muitos enfrentaram dentro desse ambiente controlado e opressivo.

Conclusão

A história de Enrique Mackenzie é um lembrete poderoso sobre os impactos que instituições religiosas podem ter na vida de indivíduos. Enquanto alguns defendem as práticas do Opus Dei como uma forma de disciplina espiritual, é crucial considerar as experiências daqueles que se sentiram aprisionados por essas mesmas regras. A série da HBO é uma oportunidade para refletir sobre essas questões e ouvir as vozes que muitas vezes são silenciadas.



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